Bagão Félix teme “nova crise bancária” em Portugal

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RTP / Flickr

António Bagão Félix

O antigo ministro das Finanças António Bagão Félix está preocupado com a situação económica e social do país e teme que depois do fim das moratórias, “haja mais uma crise bancária” em Portugal. E ainda avisa que “as mais duras consequências [desta crise] estão para vir”.

Estas declarações foram feitas por Bagão Félix em entrevistas no âmbito do lançamento do seu livro “Um dia haverá”, onde ele aborda a actual situação de pandemia por causa da covid-19.

Em entrevista ao Jornal de Negócios, o antigo ministro nota que Portugal “nunca” teve “uma recessão tão brutal” que se verifica tanto ao nível da procura, como da oferta.

Bagão Félix vaticina que esta crise vai levar ao “desaparecimento de empresas” e “muitas pessoas ao desemprego”.

“Quando as moratórias terminarem, e as pessoas e as empresas tiverem de pagar, o que vai acontecer? Terão condições de pagar? Receio que haja mais uma crise bancária. Espero que não, mas receio”, lamenta ainda Bagão Félix.

Sobre o Plano de Recuperação da União Europeia e os fundos atribuídos a Portugal após um “acordo histórico”, Bagão Félix diz que “não é óptimo para Portugal”, mas que é “importante” porque, “pela primeira vez”, há “uma parcela da dívida que é mutualizada”.

Contudo, o antigo ministro alerta que o dinheiro pode só chegar a Portugal em 2021 “por causa da máquina burocrática da União Europeia“.

Já em entrevista à revista Rua, Bagão Félix refere o “receio” de que “os próximos meses venham a ser de muitas dificuldades“.

“A pandemia vai convergir com a abertura de aulas, o outono e a gripe, sem que ainda haja meios de prevenção da covid-19″, nota, salientando que “as mais duras consequências económicas e sobretudo sociais ainda estão para vir”.

Para Bagão Félix, esta pandemia deve ser encarada como “uma oportunidade de lucidez e um tempo de discernimento”.

Mas “receio que não se tirem as necessárias ilações e, no fim, se venha a concluir que foi preciso mudar algo para tudo ficar na mesma”, considera.

“Esta guerra silenciosa que o mundo enfrenta abre-nos e alerta-nos para as verdadeiras e profundas prioridades de governantes e governados”, realça ainda, apontando para a importância do Serviço Nacional de Saúde (SNS) como “uma grande conquista da democracia portuguesa”.

O SNS é “um verdadeiro activo civilizacional, como esta crise pandémica está a revelar”, salienta Bagão Félix, apelando a que “não desbaratemos energias no domínio dos cuidados de saúde por nos envolvermos em maniqueísmos que nada resolvem e tudo enquistam”.

“O SNS não pode ficar refém de ideologias paralisantes. Os médicos, enfermeiros e pessoal de saúde merecem ser mais considerados, para além deste momento tão difícil”, conclui.


Fonte: ZAP

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