Na Tailândia, a legalização do aborto enfrenta “resistência espiritual” – ZAP

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iloasiapacific / Flickr

Desde fevereiro, qualquer pessoa que procure fazer um aborto na Tailândia consegue fazê-lo legalmente, pelo menos no primeiro trimestre. Ainda assim, muitos médicos e enfermeiros recusam-se a levar a cabo o procedimento.

A advogada Supecha Baotip contou ao The World que a recusa dos profissionais de saúde tailandeses “é mais do que um mero sentimento”. É uma questão de crença a nível espiritual”, acrescentou.

O aborto é ilegal noutros grandes países do sudeste asiático, como a Indonésia, que é maioritariamente islâmica, e as Filipinas, um bastião do catolicismo. Tanto o Islão como o catolicismo se opõem firmemente ao aborto.

Na Tailândia, um país em que cerca de 95% da população é budista, muitos acreditam no karma – a ideia de que as forças espirituais podem punir-nos por boas ou más ações, nesta vida ou na próxima.

Embora o Buda não fosse inteiramente explícito sobre o aborto quando espalhou os seus ensinamentos há mais de 2.500 anos, muitos monges na Tailândia acreditam que isso traz mau karma.

Em declarações aos jornalistas, o monge Phra Ratchadhamanithet chegou a dizer que as “mulheres mimadas vão fazer abortos”. “Elas têm desejos de fazer as coisas que levam ao nascimento de uma criança. No entanto, não estão preparadas para cuidar dela.”

Segundo Supecha, os profissionais de saúde levam muito a sério este tipo de declarações. “É mais do que ciência. É sobre coisas espirituais“, explicou.

A grande mudança na lei seguiu-se a uma decisão dos juízes constitucionais, que chegaram à conclusão de que penas severas – como até três anos de prisão para as mulheres que fazem abortos – violavam as garantias constitucionais de liberdade.

O The World detalha que, nos últimos anos, cerca de 300 mil abortos por ano podem ter sido realizados na Tailândia, mas muitos deles decorreram com pouca ou nenhuma segurança. A mudança legal poderia ajudar nesse sentido, ao mesmo tempo que diminuiria a elevada taxa de gravidez na adolescência no país.

ZAP //

Fonte: ZAP

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