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Hipertensão: “Temos uma taxa de controlo abaixo do esperado”

Assumiu recentemente a presidência da Sociedade Portuguesa de Hipertensão. O que a levou a abraçar este desafio?
A necessidade de haver uma mudança na SPH, de haver uma maior proximidade com os colegas que tratam hipertensos. Fiz parte das direções anteriores, fui participando em projetos iniciados anteriormente e com os quais me identificava e acredito terem potencial para melhorar a nossa saúde cardiovascular.

É a primeira especialista em MGF a presidir a esta sociedade. Como é que encara esta responsabilidade?
É verdade. A Sociedade já existe há 19 anos, mas é a primeira vez que a Direção é assumida por alguém de MGF.  O facto de ser de MGF poderá tornar a SPH mais próxima de toda comunidade, que se identifica muito com a sua equipa de saúde, e mais próximo dos profissionais de saúde. Por um lado, dos não médicos, por sentirem que a SPH está mais receptiva à integração de vários profissionais de variadas áreas e, por outro lado, da comunidade médica, com especial ênfase na área de MGF, por se identificarem mais comigo.

Claro que isto não quer dizer que não considero as outras especialidades importantes, pelo contrário, para combater este flagelo da HTA todos são importantes e todos vão continuar a ter um papel importante nesta Sociedade.

“É a primeira vez que a Direção é assumida por alguém de MGF.”

Quais os seus objetivos para este mandato?
Melhorar o grau de controlo dos nossos hipertensos, para isso pretendo fazer formação em três grandes áreas: para a comunidade em geral, melhorando a literacia em saúde nesta área, para profissionais de saúde não médicos (enfermeiros, farmacêuticos, técnicos de saúde) e para os médicos, em especial colegas de MGF, pois a grande maioria dos hipertensos são tratados e vigiados nos cuidados de saúde primários e é nesta área que há muita inércia médica.

Quais são os principais desafios que o tratamento e o seguimento da HTA apresentam aos médicos em geral e mais concretamente aos médicos de família?
O primeiro desafio está relacionado com o utente, por um lado sensibilizá-lo para o problema da HTA e da importância de vigiar a PA, por outro lado a melhorar adesão, no caso do doente já ter hipertensão identificada. O desafio dos médicos de família é conseguir gerir tanta tarefa, é manter o foco no doente apesar de cada vez mais ter tarefas burocráticas para resolver. No caso concreto do doente hipertenso, o desafio é tratar adequadamente o utente sem se limitar apenas ao cumprimento de indicadores de saúde e limiares de custo. Temos de tratar melhor os nossos hipertensos.

Como é que vê a abordagem e o tratamento do doente hipertenso em Portugal? Os nossos doentes são bem tratados?
Em Portugal, temos uma variedade grande de fármacos à nossa disposição para tratar os hipertensos, e todos tem uma comparticipação grande. No entanto, ainda temos uma taxa de controlo muito abaixo do esperado, por um lado, pela não adesão e, por outro lado, porque tratamos inadequadamente os nossos hipertensos, quer com monoterapia em situações na qual não está recomendada, quer a usar associações livres e ainda usando fármacos que não fazem cobertura de 24 horas. Considerando que os nossos hipertensos são doentes com outros fatores de risco associados, temos de os tratar tendo em conta todo seu risco cardiovascular global.

“Os nossos hipertensos são doentes com outros fatores de risco associados, temos de os tratar tendo em conta todo seu risco cardiovascular global.”

Como é que vê o futuro do tratamento da HTA em Portugal?
Eu sou uma pessoa otimista e considero que temos um bom sistema de saúde, e uma rede de cuidados de saúde primários que na maioria dos sítios funciona bem. Na área cardiovascular em particular, é uma área na qual temos de investir apesar de saber que não conseguimos ter ganhos em saúde, a curto prazo. Podemos ver um doente a perder peso, a melhorar o colesterol e a ficar com a pressão arterial controlada, mas efetivamente os ganhos em saúde, a diminuição dos eventos, da morbilidade e mortalidade apenas se vai refletir a longo prazo. Infelizmente, esse tem sido o erro dos nossos superiores, apenas pensam a quatro anos, querem ter resultados a curto prazo e na área da saúde, isso é difícil. Temos de fazer grandes investimentos no presente, mas isso apenas se vai refletir após uns bons anos, mas não é por isso que não devemos fazer esse investimento. Na SPH a continuidade dos projetos é o segredo para termos sucesso.

“Na SPH a continuidade dos projetos é o segredo para termos sucesso.”

 

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Texto: Sílvia Malheiro 

Fonte: Saúde Online

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