Enfermeiros… Greve e outras considerações- artigo de opinião

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GREVE DOS ENFERMEIROS: Quando determinados profissionais estiverem em greve, antes de nos virarmos só contra eles, procuremos perceber o que reivindicam e que utilidade têm esses profissionais para a nossas vidas. Um enfermeiro é dos poucos profissionais que está 24h por dia ao nosso lado, nos momentos das nossas maiores fragilidades.

SABIAM QUE: 
★Os enfermeiros são os funcionários públicos mais mal pagos em Portugal e dos mais mal pagos da Europa?
★ Quando se comparam salários com o nível de formação exigido para o exercício da profissão, conclui a historiadora Raquel Varela (estudo de 2014) que os enfermeiros portugueses são, de todos os funcionários públicos, aqueles em que a relação formação-salário é mais desequilibrada, isto é, que ganham menos na relação com a sua formação da força de trabalho”, (ver artigo publicado no nº 40 da revista Enfermagem e o Cidadão).

★ Tal como tem vindo s suceder com outros técnicos da saúde, os enfermeiros estão também ameaçados pelas mudanças das relações laborais, que afectam todos os sectores, sendo hoje atirados para condições extremas de precaridade e de baixos salários;

★Chegam a ser despedidos como trabalhadores fixos para serem contratados como trabalhadores precários, “a ganhar em média 30 a 40 por cento menos” do salário normal;

★Para além da precariedade, “os enfermeiros portugueses são expostos a uma brutalidade de turnos em regime de horas extraordinárias, tudo isto para se evitar a contratação de novos profissionais que tanto precisam de trabalhar e que estão sucessivamente a ser forçados a emigrar;

★A carreira de enfermagem parece uma coisa, mas nem tudo que parece é, sendo que a maioria dos jovens enfermeiros, para além da precariedade, chegam a trabalhar 40 horas e a ganhar menos do que muitos administrativos, menos de que muitas empregadas domésticas ou de que muitos dos auxiliar de acção médica. No setor público sempre ganharam muito menos do que outros técnicos superiores, mesmo sendo hoje os enfermeiros já licenciados (4 anos) especializados (cerca de 2 anos), mestrados (+ 2 anos) e doutorados.

Como refere e bem a investigadora Raquel Varela, “tem sido na sua resistência física e moral que repousam os cuidados (prestados aos cidadãos) e não na protecção laboral que lhes é devida”.

Os enfermeiros, técnicos de saúde e auxiliares de acção médica não podem servir só para neles se (des)carregar com os cuidados de que precisamos, com as nossas fragilidades e com as nossas doenças. Se há profissionais de que todos precisamos ou precisaremos 24h sobre 24h, esses prifissionais são os profissionais de todos os setores da saúde.
Por isso, tratemo-los bem.

Estes são dos serviços mais essenciais de que precisaremos na nossa vida, sendo que devem estar sempre acessíveis a todos, em nome de uma correcta gestão e da boa aplicação dos fundos públicos.

Refere Raquel Varela que “os exemplos de investir em cuidados de saúde e de enfermagem são quase infinitos, sendo que todos eles acarretam melhores condições laborais para os enfermeiros, melhores cuidados de saúde para a população em geral e gestão mais eficiente dos orçamentos públicos de saúde". A cuidar bem também se gere melhor.

Em termos de saúde, o Estado não pode alegar insuficiência de recursos para fazer as necessárias mudanças, sendo que, quando as mudanças são bem feitas e necessárias, isso vai gerar mais eficiência e uma diminuição ou contenção de custos.

Se olharmos para os dados do PIB de 1995 a 2010, conclui-se que a “subcontratação e serviços privados dentro do SNS têm criado simultaneamente menos produtividade e mais lucro – tudo à custa dos salários dos profissionais de saúde”.

Será essa a via pela qual pretendemos ser atendidos, cuidados e tratados?

Num País onde a qualidade dos cuidados de saúde melhorou ao longo de muitos anos, assiste-se hoje ao ‘desmantelar’ progressivo dessa realidade.

Os cuidados de proximidade estão cada vez mais distantes dos cidadãos.

Os cuidados diferenciados estão cada vez mais caros (para o contribuinte e para o doente).

Os cuidados de emergência estão cada vez menos eficientes.

Num País pequeno como o nosso, o conflito de ‘interesses’ parece ser muitas vezes sobreponível ao interesse do cidadão.

Alguns dizem que "é o País que temos… 
Mas será que a solução é termos de emigrar todos? Profissionais e utentes/doentes?

O país não tem vindo a criar as condições mínimas para que os profissionais de saúde, com qualidade diferenciada (especialistas, mestrados e doutorados), possam colocar os seus conhecimentos e práticas ao serviço dos melhores cuidados dos cidadãos, naquela que porventura será a maior das suas necessidades -A SAÚDE.

Artigo de opinião de Zé de Baião  (publicado com autorização do autor)

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