Intervenções de Enfermagem à Pessoa com Dor

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Em muitos casos, mais do que um sintoma, a dor é a doença em si, e seu controle é o objetivo do tratamento. De sua vivência resultam alterações biológicas, psicossociais e sofrimento. Há prejuízo de sono, do trabalho, da movimentação, deambulação, ocorre alteração do humor, da capacidade de concentração, do relacionamento familiar, da atividade sexual e apreciação pessimista e desesperançada da vida.

É um fenômeno cuja etiologia e manifestação são multidimensionais. Os aspectos biológicos, emocionais e culturais da experiência dolorosa justificam o uso de intervenções múltiplas, farmacológicas e não farmacológicas, para o seu alívio. A dor quando não tratada adequadamente, afeta a qualidade de vida dos doentes e de seus cuidadores em todas as dimensões: físicas, psicológicas, social e espiritual.

O controle da dor deve ser uma preocupação do enfermeiro. A atuação do profissional, de modo independente e colaborativo, compreende a identificação de queixa álgica, a caracterização da experiência dolorosa em todos os seus domínios, a aferição das repercussões da dor no funcionamento biológico, emocional e comportamental do indivíduo, a identificação de fatores que contribuam para a melhora ou piora da queixa álgica, a seleção de alternativas de tratamento e a verificação da eficácia das terapêuticas implantadas.

Os objetivos da avaliação da experiência dolorosos são: determinar os elementos que possam justificar, manter ou exacerbar a dor, sofrimento e a incapacidade, apurar o impacto da dor na vida do indivíduo e verificar eficácia das intervenções terapêuticas propostas.

Várias atividades de enfermagem podem ser usadas para auxiliar a pessoa que manifesta dor, sendo elas: estabelecer relação com o paciente que sente dor, ensinar o paciente a resposta da dor, lidar com outras pessoas que estejam em contato com o paciente, promover repouso e relaxamento, diminuir os estímulos nocivos, permanecer com o paciente, entre outras.
A utilização de instrumento para a mensuração das características da dor compreende a identificação dos aspectos relativos ao início da queixa, localização, intensidade, frequência, duração, o padrão de instalação dos episódios e a investigação dos fatores de melhora e piora do sintoma. Compreende também investigar as ações implementadas, o alívio obtido com essas terapêuticas e os possíveis efeitos colaterais.

Para avaliação da dor do paciente, pode-se usar uma grande variedade de escalas unidimensionais para mensurar a intensidade da dor, como por exemplo, Escala Verbal Numérica (EVN), Escala Verbal Analógica (EVA), Escala de Faces, Escala NIPS. Existem também escalas multidimensionais, como por exemplo, BPI (Inventário breve da dor), SF-36 (Qualidade de Vida), Oswestry (em caso de Lombalgia) sendo que esses questionários multidimensionais são aplicados na primeira consulta quando o paciente procura um médico especialista em tratamento da dor para direcionar, mensurar a percepção e sensação da dor e conhecer o impacto da dor na vida do mesmo.

No entanto, o desafio do enfermeiro é adaptar cada instrumento à capacidade cognitiva e psicomotora de cada paciente, adulto ou criança, para que os dados subjetivos referidos possam ser traduzidos da forma mais objetiva possível. Considera-se que o domínio técnico-científico possa contribuir para uma melhor assistência ao paciente com dor.

O enfermeiro precisa saber quando ocorre a dor e como ela afeta o doente, para poder ajudá-lo. Para isso é necessário utilizar técnicas de comunicação, as quais envolvem, entre outros aspectos, o respeito pela individualidade do doente, o estabelecimento de uma relação empática, o desejo de sentir o mundo desse indivíduo como se fosse nosso, e finalmente, saber escutar e questionar com perguntas simples, e diretas, no sentido de ajudar a compreender a sua dor.

A observação permite ao enfermeiro verificar aspectos comportamentais do doente que são concretos e observáveis, tais como:

  • • A existência de dor e suas características em termos de localização, intensidade, descrição (aguda, pontada, fisgada, …), duração e recorrência
  • • As reações comportamentais do doente à dor: qual a sua expressão facial, se chora, como é que ele a expressa verbalmente, como é que a encara, como reage (tem medo, fica angustiado, irritável ou com insônias…)
  • • Os fatores fisiológicos associados: se manifesta taquicardia, aumento da pressão arterial, taquipneia, palidez, sudorese ou alteração da tensão muscular
  • Podemos dizer que, de acordo com a situação, as ações de enfermagem podem englobar diversas técnicas, que podem ser desenvolvidas de forma direta ou indireta através de: aproveitamento de um relacionamento calmo, criação de um ambiente seguro, criação de uma sensação de conforto geral, mudanças de posição, distração para desviar a sua atenção da dor, técnicas de modificação comportamental, promoção da autoconfiança, estabelecimento de uma boa comunicação – empatia, apoio emocional ao doente e família
Em suma, ao se falar de cuidado deve-se levar em conta que para o mesmo ocorrer se faz necessário um processo interativo onde o profissional/cuidador, no caso o enfermeiro, aplique além de sua habilidade técnica, conhecimentos, intuição e, sobretudo, muita sensibilidade para como o indivíduo a ser cuidado.      Nesta perspectiva cuidar de alguém com dor não significa apenas realizar técnicas para deixá-lo “confortável”, mas também mostrar na relação profissional/cliente, interesse, compaixão, afetividade, consideração que tem o intuito de aliviar, confortar, apoiar, ajudar, favorecer, promover, restabelecer, e torná-lo satisfeito com o seu viver.O enfermeiro deve exercer seu papel no controle da dor, tem responsabilidade na avaliação diagnóstica, na intervenção e monitorização dos resultados do tratamento, na comunicação das informações sobre a dor do paciente, como membro da equipe de saúde.

Enfª Ana Paula da Silva

Fonte: centro de tratamento da dor

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