Enfermeiro presenciou casos de eutanásia num hospital público

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Um profissional de saúde afirmou que já assiste a esta prática há mais de 40 anos num hospital central e explica de que forma pode ser feito.

Um enfermeiro, que iniciou a sua atividade profissional num hospital central em 1975, disse ao Jornal de Notícias que, desde então, viu vários pacientes a serem ajudados a morrer.

Preferindo permanecer sob anonimato, o enfermeiro refere que existem várias formas indolores de ajudar os doentes a morrer, sendo que uma das técnicas que mais viu serem usadas foi a injeção de ar nas veias. Esta prática provoca uma morte sem dor e o resultado confunde-se com um ataque cardíaco, refere o enfermeiro.

O cardiologista José Diogo Martins explica ao Observador que uma morte causada por uma embolia venosa (introdução de ar numa veia) pode não ser assim tão tranquila, pode ter consequências nos pulmões, provocar enfartes do miocárdio ou arritmias malignas. “Nenhuma destas circunstâncias seria uma morte indolor, pois não é preciso ser cardiologista para saber que o sintoma habitual do enfarte é a pré-cordialgia – vulgo ‘dor no peito’”. Se os doentes citados pelo enfermeiro não sentiram dor, tinham de estar sedados, afirma o médico.

O Jornal de Notícias avança outra hipótese: a morfina. Esta droga tem sido usada, seja por via oral ou endovenosa, para o alívio das dores. Porém, o enfermeiro terá acrescentado que, no caso dos doentes oncológicos terminais ou com insuficiência respiratória, as injeções de morfina, além de confortarem o doente, antecipam a morte.

Mas há que acrescentar, que o uso de morfina para combater as dores dos doentes não pode ser considerada eutanásia, esclarece ao Observador José Eduardo Oliveira, médico de cuidados paliativos. O médico lembra que não se pode “causar alarme social” e que os doentes não podem temer que os médicos os queiram matar, quando na verdade apenas ajustam as doses e a forma como são dadas consoante as necessidades do doente. E isso, não é eutanásia.

Outras das técnicas foi apontada pela bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, em declarações à Rádio Renascença: “Houve médicos que sugeriram, por exemplo, administrar insulina àqueles doentes para lhes provocar um coma insulínico”. A bastonária referiu depois que nunca viu ninguém fazê-lo.

A Ordem dos Médicos, num comunicado enviado às redações, afirmou que “desconhece concretamente qualquer caso de ‘eutanásia’ explícita ou encapotada nos Hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou noutras instituições de Saúde”. O homicídio a pedido da vítima está previsto no Código Penal português e é punido com pena de prisão até três anos.

No mesmo comunicado, a Ordem dos Médicos reforça que “o debate sobre a ‘eutanásia’ deve continuar para um correto esclarecimentos das pessoas, até porque continua a verificar-se uma grande confusão de conceitos, nomeadamente entre eutanásia e distanásia”.

“De forma simples, a eutanásia é a ação que implica colocar fim à vida do doente, sem dor nem sofrimento. A distanásia é o prolongamento da vida através de tratamentos extraordinários que visam apenas prolongar a vida biológica do doente. O número 2 do artigo 57.º do Código Deontológico da Ordem dos Médicos estabelece que: ‘Ao médico é vedada a ajuda ao suicídio, a eutanásia e a distanásia’”, clarificou a Ordem dos Médicos ao Observador.

“Desligar a máquina não é para provocar a morte, é para permitir que a pessoa morra com dignidade, porque já é um doente em coma que só está vivo por causa das medidas artificiais de suporte de vida”, disse o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, ao Jornal de Notícias.

Atualização: morte por introdução de ar nas veias não é indolor e utilização de morfina em doses suficientes para aliviar a dor dos doentes não é considerado eutanásia.

Fonte: Observador

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