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Pâncreas artificial promete revolucionar a vida de diabéticos

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Estados Unidos aprovaram uma tecnologia inovadora para tratar a diabetes tipo 1 que praticamente não precisa da intervenção do doente

É conhecido como “pâncreas artificial híbrido” e pode revolucionar a vida de milhões de diabéticos em todo o mundo. O Medtronic’s MiniMed 670G, um dispositivo que monitoriza automaticamente a glicose e fornece doses apropriadas de insulina, foi aprovado nesta semana pela Food and Drug Administration (órgão que controla os alimentos e medicamentos nos EUA) para a população com mais de 14 anos que sofra de diabetes tipo 1. Trata-se de um “aperfeiçoamento” da bomba infusora de insulina, já disponível em Portugal, mas que ainda só chega a 2% dos doentes.

“Este é o primeiro tipo de tecnologia que proporciona às pessoas com diabetes tipo 1 maior liberdade para viverem as suas vidas sem terem de forma consistente e manual de monitorizar os seus níveis de glicose basais e administrar insulina”, destacou Jeffrey Shuren, diretor do Centro para Dispositivos e Saúde Radiológica da FDA.

Este sistema foi desenvolvido para ajudar a controlar a doença, com menos intervenção do doente. Para isso, mede os níveis de glicose a cada cinco minutos, administrando automaticamente a insulina. “O pâncreas artificial é uma bomba difusora mais sofisticada, que tem a possibilidade de automatizar grande parte da administração de insulina, sem intervenção do doente. Por um lado, liberta o doente de uma série de constrangimentos e, por outro, controla melhor a diabetes tipo 1”, explicou ao DN Francisco Carrilho, presidente da direção da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo.

De acordo com o também diretor do serviço de endocrinologia e diabetes do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, estamos a falar de um sistema híbrido, que ainda “não é completamente automático. “É um avanço muito importante no tratamento da diabetes, mas ainda não permite uma total automatização na administração da insulina”. Durante a noite, esclarece o especialista, o dispositivo é completamente automático, mas, durante o dia, o doente tem de introduzir algumas variáveis, relacionadas com os alimentos que ingere, para que “a máquina calcule a quantidade de insulina a injetar”.

Esta inovação terapêutica consiste num pequeno aparelho que tem um sensor para medir os níveis de glicose, uma bomba de insulina e um cateter através do qual é administrada. Para a aprovação do dispositivo, a FDA avaliou os resultados de um ensaio clínico com o híbrido Medtronic”s MiniMed 670G que contou com 123 participantes com diabetes tipo 1. Este mostrou que o aparelho é seguro para indivíduos com mais de 14 anos que sofrem da doença. A Medtronic, empresa responsável pelo seu desenvolvimento, procura agora perceber qual a eficácia e segurança em crianças mais novas. Para a endocrinologista Isabel do Carmo, as vantagens deste dispositivo “são enormes”. A especialista fala mesmo numa “revolução no tratamento da diabetes”. Com a utilização desta tecnologia, “o doente não tem de se preocupar com quase nada”. A desvantagem, indica, poderá ser “o preço”.

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Caminho a fazer para chegar cá

Em Portugal, é estimado que existam um milhão de diabéticos, dos quais 50 mil têm diabetes tipo 1, patologia que geralmente atinge crianças e adolescentes. “É uma doença que requer muita intervenção do doente, tanto a fazer o tratamento como na avaliação do tratamento. Em média, são necessárias quatro injeções de insulina por dia”, adiantou ao DN Francisco Carrilho. Para ajudar a resolver o problema, foram introduzidas as bombas difusoras de insulina. “Mas só 2,3% dos portugueses tem acesso à mesma, enquanto a média lá fora é de 20% a 30%”, lamenta o endocrinologista, acrescentando que existem “centenas de pessoas em lista de espera”.

A prioridade em Portugal, diz o presidente da SPEDM, “é aumentar o número de doentes com acesso a bombas difusoras de insulina”. Uma preocupação partilhada por Isabel do Carmo. Lembrando que o Estado gasta, em média, 450 milhões de euros por ano para tratar as complicações relacionadas a diabetes, Francisco Carrilho alerta que “tudo o que sejam tratamentos para melhorar o controlo da diabetes vem reduzir complicações”. Após a aprovação do pâncreas artificial híbrido nos EUA, o passo seguinte deverá ser a aprovação pela Agência Europeia de Medicamentos.

Fonte: Diário de Notícias

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