Um dia o computador pode fazer triagem de doentes

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Aplicação informática está a ser testada no Reino Unido com bons resultados

No futuro quando um doente ligar para um serviço de apoio do tipo do Saúde 24 pode ter de falar com um software de computador em vez de ouvir a voz do enfermeiro? A resposta é sim e já há um sistema destes em funcionamento no Reino Unido.

Com esta aplicação, os doentes do Serviço Nacional de saúde inglês registados na aplicação quando telefonam a pedir ajuda são atendidos por um computador que encaminha o doente por várias fases de uma triagem sobre os seus sintomas, do que podem representar e de que forma podem ser tratados. Se o utente considerar que as respostas não o satisfazem então pode pedir a intervenção de um médico.

Este sistema de apoio aos doentes foi uma das inovações apresentadas em duas sessões do congresso Leaping Forward, uma iniciativa do grupo Luz Saúde dedicada aos cuidados de saúde primários e que reuniu em Lisboa (na quarta-feira) e no Porto (sexta) três dezenas de especialistas em medicina geral de familiar que discutiram o que poderá ser o sistema de saúde do futuro.
“Tentamos perceber como vai evoluir a profissão. Atualmente há a imagem clássica do centro de saúde com médicos e enfermeiros a seguirem o doente. Mas, o paradigma está a mudar. As tecnologias de informação alteram a relação dos profissionais com os doentes. Vamos ter de redefinir a própria formação de um médico de família”, explicou ao DN João Sequeira Carlos, coordenador de Medicina Geral de Familiar no Hospital da Luz.

Para este responsável a evolução dos cuidados de saúde mostra que a “centralidade deve estar cada mais no cidadão, para ele poder escolher a forma como se relaciona com o sistema de saúde”.

E é neste ponto que surge o sistema desenvolvido pela empresa inglesa Babylon em que uma aplicação para telemóvel serve de interlocutor com o utente que ao ligar para esse sistema é atendido por um software de inteligência artificial que, na prática, faz a triagem dos sintomas que a pessoa apresenta e encaminha-a para uma solução ou para um médico.
“Nas coisas mais simples funciona como o que acontece hoje com a Saúde 24 e o enfermeiro. Só que neste caso a mediação é tecnológica. E estamos a falar de triagem e não de diagnóstico”, sublinha o médico.

“O controle é do paciente”

Essa é também a garantia de Mobasher Butt, um dos responsáveis médicos da empresa inglesa Babylon, que esteve neste congresso a apresentar a aplicação que os serviços de saúde ingleses já incorporaram e que, assegura, já conte com 20 mil inscritos não só deste serviço mas também de seguradoras, que pagaram cerca de cinco euros para fazer o download da aplicação.

Em declarações ao DN, explicou que neste serviço o utente paga se falar com um médico, pedir análises ou outros equipamentos médicos. A triagem e a possibilidade de enviar perguntas aos médicos são, frisou, serviços gratuitos.

Para este médico o facto de, no imediato, o utente não ser atendido por um enfermeiro ou médico não constitui um problema: “O doente tem sempre o controle. A nossa aplicação orienta-o para os serviços que melhor se adequam ao problema apresentado segundo as respostas dadas no inquérito feito pelo nosso serviço de inteligência artificial. Mas o paciente pode sempre pedir para falar de imediato com um médico, terapeuta ou especialista.”

Esta ligação entre o doente e o médico, mesmo com a intermediação de um computador, é um ponto que também João Sequeira Carlos deixa bem expresso: “É importante não esquecer que o médico de família vai ter um papel na gestão do percurso do doente. Deve ser dele a interação com o sistema de saúde”.

Fonte: DN

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