Bastonária diz que faltam 83 enfermeiros no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa

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Ana Rita Cavaco adverte que situação é grave e poderá agravar-se com a chegada do Verão. Ordem dos Enfermeiros adianta que de Setembro até à presente data foram pedidos mais 25 enfermeiros para este centro hospitalar e pedido veio sempre recusado

A Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, esteve, de visita ao Hospital Padre Américo, que integra o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, e mostrou-se preocupada com a situação deste centro que no que toca à falta de pessoal de enfermagem.

De acordo com fonte da Ordem dos Enfermeiros, faltarão 83 enfermeiros neste centro hospitalar, sendo que de Setembro até à presente data foram pedidos mais 25 enfermeiros e o pedido veio sempre recusado.

Aos jornalistas e antes da reunião que manteve com o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, Ana Rita Cavaco esclareceu que o Governo atingiu a quota do funcionários não estando prevista a entrada de mais enfermeiros.

“Este centro hospitalar, tal como outros, no país, mas este em particular, está, neste momento, uma situação muito grave. O Ministério da Saúde diz que atingiu a quota de funcionários, portanto, indiscriminadamente não lhes interessa saber se são enfermeiros, médicos ou o que são porque estão a fazer uma coisa muita errada, estão a contar com o número de internos para o número total de funcionários do hospital e como tal não autorizam a contratação de mais enfermeiros. Aliás, eu não percebo como é que é possível gerir assim”, disse.

Ana Rita Cavaco advertiu, também, para o facto de a falta de enfermeiros no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa poder agudizar ainda mais o problema, colocando até em causa a vida dos doentes.

“Todos se lembram do que foi vivido há poucos meses na urgência e nos restantes serviços. Vamos ter uma situação pior do que aquela que vivemos nessa altura porque vêm aí as férias do Verão, as 35 horas para todos os enfermeiros até Julho, pelo menos foi o que foi assinado pelos sindicatos e não compreendemos como é que se consegue gerir um hospital. Neste caso, a Ordem está solidária com o Conselho de Administração do Tâmega e Sousa”, expressou, salientando que compete à Ordem dos Enfermeiros denunciar publicamente e alertar o Ministério para o facto de o estrangulamento das contratações estar a pôr em risco a vida das pessoas.

Segundo a bastonária existem, ainda, mais de 11 mil enfermeiros a fazer as 40 horas.

“A saúde dos doentes está em perigo. Todos os estudos internacionais a que vamos tendo acesso todos os anos, um deles, o maior, realizado em 30 países incluindo Portugal, dizem-nos que por cada doente a mais a cargo de um enfermeiro a taxa de mortalidade dentro de um hospital sobre 7%.”, assumiu.

Aos jornalistas, a responsável pela Ordem dos Enfermeiros assegurou, ainda, que a realidade deste hospital infelizmente é igual à de outros a nível nacional.

“A questão nova neste centro é que para a autorização de novos contratos o Ministério da Saúde entendeu que o número de funcionários total tinha atingido a quota porque conta com os médicos internos e, portanto, não ia autorizar mais enfermeiros. Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, reiterou, sustentando que Governo põe as finanças à frente das pessoas.

“Excepto no caso dos bancos. Quando estamos a falar do caso da banca, ainda, agora, vimos recentemente mais recapitalizações, perdões de dívida a clubes de futebol, e para a saúde infelizmente não há dinheiro”, confessou, manifestando que estas acções têm de continuar, sendo uma obrigação da Ordem dos Enfermeiros proteger os destinatários dos cuidados de enfermagem, e um dever de cidadania.

Ana Rita Cavaco esclareceu, também, que nos cuidados primários de saúde existem, também, falta de enfermeiros, falta de material e de carros para ir a casa das pessoas.

“Se os cuidados de saúde primários tivessem efectivamente cuidados continuados dotados de enfermeiros, carros, material para poder ir a casa das pessoas, as pessoas não recorriam tanto ao hospital”, adiantou, confirmando que o Governo não tem demonstrado disponibilidade para resolver esta questão das quotas.

“Fala-se na existência de um pacto para a saúde, mas para haver um pacto para a saúde temos de dizer a verdade sobre o que temos dentro dos serviços de saúde. Não vale a pena mentir”, asseverou.

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Fonte Verdadeiro Olhar

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