Greve de cinco dias dos enfermeiros termina com ‘feedback’ positivo

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Em declarações à agência Lusa, o presidente do Sindicato Democrático dos Enfermeiros Portugueses (Sindepor) apontou que não é possível saber com exatidão a adesão à greve face aos constrangimentos impostos pela pandemia, mas sublinhou que a intenção nunca foi fazer uma “guerra de números”, mas antes mostrar ao Governo e ao país o descontentamento em que vive esta classe de profissionais.

“Há muita falta de diálogo e de respeito por esta classe profissional”, denunciou Carlos Ramalho, acrescentando que “é incrível como este país trata mal os enfermeiros”, o que leva a que muitos optem por abandonar Portugal para ir trabalhar no estrangeiro.

Segundo o sindicalista, houve um “‘feedback’ muito positivo” e, apesar de não conseguir contabilizar, foi possível saber como até “nos sítios mais recônditos” houve enfermeiros em greve, mesmo que a trabalhar para “não causar mais constrangimentos ao Serviço Nacional de Saúde”.

Carlos Ramalho lembrou que as negociações com os enfermeiros estão paradas há mais de um ano apesar de os problemas persistirem e até se terem agravado, não só ao nível da progressão na carreira, mas também no modelo de contratação, apontando que são cada vez mais frequentes os casos de enfermeiros com contratos de quatro meses para fazer face a situações pontuais apesar de serem precisos a tempo inteiro.

Denunciou também a existência de contratações para instituições particulares de solidariedade social (IPSS) com salários abaixo dos 1.201 euros que estão definidos.

De acordo com o responsável, esta greve serviu para alertar que se não forem contratados mais enfermeiros e não forem criadas melhores condições de trabalho “nunca será possível resolver os problemas do Serviço Nacional de Saúde”, sublinhando que “não há um Serviço Nacional de Saúde sem enfermeiros”.

Pede, por isso, que “pelo menos haja diálogo e negociações sérias”, apontando que, apesar de todo o esforço e todo o trabalho feito durante a pandemia, os enfermeiros sentem que o seu trabalho continua sem ser devidamente reconhecido.

“Vi outro dia uma mensagem de uma colega enfermeira que dizia: ‘Nem vestidos de astronautas deixamos de ser invisíveis’”, contou, referindo-se aos fatos de proteção individual que são obrigados a usar no tratamento aos doentes com covid-19.

Carlos Ramalho entende também que depois desta greve de cinco dias é o momento de “continuar a lutar com todas as forças contra esta pandemia”, mas também de fazer um balanço e de sensibilizar o Governo para voltar à mesa das negociações.

Fonte: Lifestyle Sapo

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