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Covid-19. Despacho de Marta Temido manda adiar cirurgias prioritárias, incluindo as que estavam programadas para doentes com cancro

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A ministra da Saúde determinou a concentração de todos os esforços na área de Cuidados Intensivos, nem que para isso seja necessário adiar as cirurgias programadas, mesmo que prioritárias.

O texto do despacho de Marta Temido é longo e começa por afirmar que “o surgimento e a propagação do vírus SARS-CoV-2 em Portugal determinou a necessidade de assegurar a prevenção, contenção, mitigação e tratamento da covid-19, através da adoção de um conjunto de medidas excecionais e temporárias de resposta à pandemia” e que “na primeira semana de 2021, foi atingido o número máximo de internamentos por covid-19 nas instituições do SNS, desde o início da pandemia”.

Mas o que interessa realmente está na segunda página e nas duas últimas alíneas: como a situação do país é grave, o despacho da ministra enviado esta quarta-feira aos hospitais determina que “os estabelecimentos hospitalares do SNS devem proceder ao diferimento de atividade cirúrgica programada de prioridade normal ou prioritária”. Ou seja, traduzido para linguagem leiga: todas as cirurgias, mesmo aquelas consideradas prioritárias, como as que atendem alguns doentes oncológicos, devem ser adiadas para concentrar esforços na resposta aos casos críticos da pandemia.

Assim, o despacho determina ainda que os hospitais devem “promover a alocação de meios humanos para a Medicina Intensiva, de modo a maximizar a capacidade de resposta nesta área (covid), em conformidade com a suspensão e diferimento de atividade assistencial efetuada”.

A explicação da ministra é clara: “Considerada a atual situação epidemiológica, a ocupação de camas de enfermaria e de cuidados intensivos e a necessidade de garantir resposta a uma procura que se prevê crescente, importa assegurar a mobilização de todos os profissionais de saúde habilitados a uma resposta alinhada com a procura de cuidados observada.”

E vai mesmo mais longe, afirmando ainda que “a atual evolução da pandemia impõe a maximização da capacidade instalada, designadamente através da revisão e expansão dos Planos de Contingência na área da Medicina Intensiva, alocando os profissionais de saúde necessários à prestação de cuidados ao doente crítico, ainda que, para o efeito, seja necessário suspender a atividade assistencial programada que não coloque o utente em risco de vida ou de grave prejuízo atendendo à sua prioridade clínica”.

Desta forma, Marta Temido diz que “os estabelecimentos hospitalares do SNS devem assegurar a prontidão da resposta à covid-19 e o melhor equilíbrio possível das várias respostas assistenciais, em especial ao nível da Medicina Intensiva”. Nem que para isso seja necessário adiar cirurgias até agora prioritárias. Nunca tal decisão tinha sido tomada durante a pandemia. O despacho entra em vigor “imediatamente e produz efeitos até 31 de janeiro 2021, sem prejuízo da possibilidade de renovação”.

Veja aqui o despacho

Fonte: Expressso

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