Polémica de falsa vacinação no Brasil. Inquérito no caso de Manaus

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informa / Flickr

Esta semana, estalou uma polémica sobre a vacinação no Brasil: familiares de três idosos registaram imagens, nas quais se via a agulha (que deveria conter a dose da vacina) vazia a ser espetada no braço ou em que o líquido permanecia na agulha, não sendo injetado, revela o Diário de Notícias.

Os familiares destes três idosos quiserem registar o momento da vacinação em vídeo, para guardar as imagens do momento comemorativo. No entanto, ao rever as gravações, deram conta de que algo estava errado, conta o DN.

Em Niterói, na zona oeste, a agulha foi inserida no braço de um idoso, mas o líquido permaneceu na mesma, não sendo injetado; em Petrópolis, na zona serrana, um profissional de saúde “injetou” uma idosa com uma seringa que estava vazia; e no Rio de Janeiro, aconteceu uma situação semelhante.

Nestes três casos, os idosos acabaram por ser devidamente vacinados mais tarde.

De acordo com a mesma publicação, as autoridades confirmaram as irregularidades na vacinação e a secretaria municipal de Saúde do Rio recomendou que, em caso de dúvida sobre a aplicação, os familiares questionem imediatamente os profissionais de saúde.

A situação já havia ocorrido em, pelo menos, outros três pontos do país: Goiânia, Maceió e Salto. Neste último caso, no interior de São Paulo, a própria profissional de saúde apercebeu-se do caso.

Em consequência desta polémica, várias técnicas de enfermagem de Niterói e de Petrópolis foram afastadas do cargo, anunciou a prefeitura.

Inquérito ao ministro da saúde sobre caso de Manaus

O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro autorizou esta segunda-feira as diligências da Polícia Federal, como depoimentos e acesso a emails, em inquérito que investiga a conduta do ministro da Saúde do país no colapso sanitário em Manaus.

Na decisão, o juiz Ricardo Lewandowski autorizou depoimentos de funcionários do Ministério da Saúde e de secretarias de Saúde do Amazonas e de Manaus; acesso a e-mails institucionais relativamente ao combate à pandemia; informações sobre fornecimento e transporte de oxigénio; a informações sobre gastos com distribuição de medicamentos para tratamento precoce da doença e que não têm eficácia comprovada contra a covid-19, como cloroquina e hidroxicloroquina.

Além disso, o magistrado autorizou ainda, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), depoimentos de representantes da empresa White Martins, fornecedora de oxigénio hospitalar naquela região, e a identificação e audição dos desenvolvedores da aplicação TrateCOV, do Governo brasileiro, que recomendava o tratamento precoce contra o novo coronavírus.

O colapso sanitário de Manaus, que elevou significativamente as mortes por covid-19, obrigou o executivo estadual do Amazonas a montar uma operação para transportar dezenas de doentes infetados para outras cidades.

A escassez de oxigénio nos hospitais da região causou a morte por asfixia a dezenas de pessoas, principalmente nas cidades do interior, segundo cálculos do Ministério Público.

O número de enterros nos cemitérios de Manaus chegou ao recorde de 1.333 nos primeiros 20 dias de janeiro.

Nesse sentido, no mês passado, o STF deu o aval para a abertura de um inquérito para investigar a conduta e eventuais responsabilidades do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no grave cenário que se vive em Manaus.

Na ocasião, a PGR indicou que o Ministério da Saúde recebeu informações sobre um possível colapso do sistema de saúde na capital do Amazonas ainda em dezembro, mas só enviou representantes à região em janeiro deste ano.

A PGR mencionou também a distribuição por parte do Ministério da Saúde de 120 mil unidades de hidroxicloroquina como medicamento para tratamento de covid-19 “inclusive com orientações para o tratamento precoce da doença, todavia sem indicar quais os documentos técnicos serviram de base à orientação”.

No início deste mês, Pazuello, um general especializado em logística, mas sem experiência em saúde, prestou depoimentos à Polícia Federal neste caso, mas o conteúdo encontra-se sob sigilo.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo maior número de mortos (239.245, em mais de 9,8 milhões de casos), depois dos Estados Unidos.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 2.400.543 mortos no mundo, resultantes de mais de 108,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Fonte: ZAP

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