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Paula Martins de Jesus: “O futuro da medicina é indissociável da tecnologia”

HealthNews (HN)- A tecnologia, associada à humanização constituem por si só um paradoxo. O que as aproxima e como podem contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos doentes?

Paula Martins de Jesus (PMJ)- Não sei se são paradoxais uma da outra. Quando falamos em humanização pensamos na valorização da relação humana, mas com base no conhecimento científico sólido… E sinceramente acredito que esta “valorização” pode ser potencializada por meio da tecnologia.

Estamos a viver uma mudança do perfil demográfico e epidemiológico da população – temos uma maior longevidade e um aumento de doenças crónicas que necessitam de acompanhamento constante. Por outro lado, os doentes estão cada vez mais informados, participativos e, sobretudo, mais exigentes. Sabemos que o futuro da medicina é indissociável da tecnologia.

Considero que é crítico que o foco seja sempre o doente e não a tecnologia, mas esta deverá ser colocada ao serviço da relação médico-doente, potenciando este conhecimento científico e, assim, a tecnologia colocando-se como elemento facilitador da humanização dos cuidados.

HN- Este será o tema em destaque da Conferência Leading Innovation agendada para este sábado. Em que medida a participação de médicos de diferentes gerações irá contribuir para o debate das questões éticas ligadas ao papel das tecnologias nos cuidados dos doentes?

PMJ- Acreditamos que será uma conversa intemporal onde serão analisados os novos tempos da prática clínica. A integração dos jovens profissionais traz sempre novas abordagens e ferramentas. Sempre assim foi e sempre assim será. Ou seja, a sociedade e a medicina precisam de renovação para evoluir. Os novos médicos cresceram com as transformações tecnológicas e com as novas formas de comunicação… Essa é a principal diferença destes jovens médicos dos restantes. A forma como estes profissionais vivem a carreira é também diferente. 

A medicina sempre existiu com diferentes gerações e com visões distintas do que é ser médico. Portanto, diria que a experiência e a inovação juntas, se forem postas ao serviço de um bem maior como é o doente, são enriquecedoras e construtivas no exercício da medicina.

Não importa a geração, ser médico significa superar-se diariamente em função da saúde do doente. Acredito que nesta conferência os convidados da mesa redonda vão, de diferentes formas, transmitir este sentimento. A troca de experiências vai engrandecer a medicina.

HN- O evento visa proporcionar um momento científico de reflexão, discussão e partilha de experiências. Quais são os principais desafios sentidos na prática clínica no período atual de transição digital na Saúde?

PMJ- A medicina e a prática clínica sempre integraram novas tecnologias. Falamos muito delas hoje em dia, mas não nos podemos esquecer que as tecnologias sempre foram entrando na prática médica; do estetoscópio ao microscópio, entre muitas outras. 

A pandemia veio acelerar a transformação digital. Já era uma realidade, mas tardava em materializar-se em algumas áreas. Penso que no ecossistema da saúde é irreversível. Não podemos perder a oportunidade de viver esta transformação e extrair o seu melhor. Agora, quais são os desafios que me parecem importantes?  A correta integração das ferramentas tecnológicas que se refletem numa melhoria dos cuidados de saúde e na prática clínica e que seja garantida a  comunicação entre os sistemas de informação e a gestão segura dos dados em saúde. Diria que, na transformação digital, estes são as três grandes áreas de preocupação e que merecem uma atenção redobrada.

HN- Ao longo dos últimos anos a MSD tem distinguido projetos de investigação com forte impacto na melhoria da Saúde em Portugal. Quais as expectativas para o prémio vencedor deste ano?

PMJ- A MSD tem feito um esforço enorme para apoiar a investigação e o desenvolvimento de novas moléculas. Cada vez mais temos uma medicina de excelência. 

Este ano, e tal como nos dois anos anteriores, os projetos submetidos foram iniciativas de uma enormíssima qualidade. Houve muito empenho por parte do júri para encontrar o melhor projeto de investigação, mas, de facto, não foi fácil no meio da qualidade daquilo que foi submetido e que representa a qualidade dos nossos profissionais de saúde.

A nossa expectativa e certeza é que o premiado seja, tal como nas edições anteriores, um projeto de investigação de excelência, de imenso empenho e que seja a materialização do que de excecional há em Portugal.

Entrevista de Vaishaly Camões

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