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“O tratamento da dor tem melhorado significativamente”

O que sente com a atribuição deste Prémio?

Sem dúvida, muita gratidão. Foi uma surpresa para mim, sobretudo quando soube que a entrega do mesmo iria ter lugar em Granada, a minha terra natal, pelo que foi especialmente emotivo recolher este reconhecimento rodeado de antigos professores, colegas e amigos da faculdade. Foi por isto que quis agradecer a atribuição deste prémio em português, já que como descreveu São Tomás de Aquino, existem três níveis de agradecimento: superficial, intermédio e profundo. Na maior parte das línguas europeias agradecemos no segundo nível, mas, em português, ao dizer obrigado, agradecemos neste terceiro nível ou nível profundo que descreveu São Tomás de Aquino, ou seja, criando vínculos com as pessoas. E também sinto muita responsabilidade em continuar este caminho, de mais de duas décadas, de tentar ajudar e melhorar a vida dos meus pacientes.

 

Que trabalho tem desenvolvido na área da dor?

Iniciei o meu percurso há muitos anos, colaborando com a Unidade de Dor Crónica do meu hospital, com tratamentos em pacientes com dor crónica não oncológica durante a minha formação como anestesiologista. Posteriormente, dediquei grande parte do meu tempo à Unidade de Dor Crónica, realizando quer técnicas invasivas quer consultas a pacientes com todo o tipo de dor crónica. O meu interesse por esta área fez com que realizasse diferentes formações e estágios em hospitais em Portugal e no estrangeiro. Mas também sempre tive interesse na investigação clínica na área da dor. Atualmente, continuo a trabalhar na unidade e também estou a colaborar com a Universidade de Aveiro num projeto sobre indicadores fisiológicos multimodais na dor pós-operatória. Também sou professor na Universidade da Beira Interior, onde dou formação sobre dor aos alunos do curso de Medicina.

“As unidades de dor, atualmente, seguem um modelo de abordagem multidisciplinar integrado por muitos elementos, pelo que não faz sentido e não é viável existir Unidades de Dor nos cuidados de saúde primários”

Quando surgiu o interesse pela dor?

Muito cedo, durante a realização do meu internato médico em Anestesiologia. O meu orientador já trabalhava na consulta de dor crónica, pelo que foi-me inculcando o interesse por esta área. Posteriormente, ao trabalhar com pacientes com dor crónica, continuou a crescer este interesse ao constatar que podemos melhorar muito significativamente a sua qualidade de vida. De facto, já Hipócrates afirmava: “Sedare dolorem opus divinum est”.

Atualmente, como avalia a forma como é tratada a dor em Portugal?

O tratamento da dor tem melhorado significativamente nos últimos anos com o aparecimento de novos fármacos e novas técnicas. Também se está a fazer um grande esforço em tratar a dor de forma cada vez mais integrativa com especialistas de diferentes áreas. Nas unidades de dor crónica contamos com diferentes especialidades que nos permitem abordar a dor dos nossos pacientes tratando, não só a dor, como tudo aquilo que faz com que consigam melhorar a capacidade funcional e a sua qualidade de vida. Assim, atualmente contamos nas unidades de dor com médicos de diferentes especialidades, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e dietistas.

“… acredito que a inteligência artificial terá o seu papel no futuro no diagnóstico e no tratamento da dor”

Deveria existir unidades de dor nos cuidados de saúde primários?

As unidades de dor, atualmente, seguem um modelo de abordagem multidisciplinar integrado por muitos elementos como disse, pelo que não faz sentido e não é viável existir Unidades de Dor nos cuidados de saúde primários. O que é importante, no meu entender, é a ligação e comunicação entre os cuidados de saúde primários e as unidades de dor que permitam otimizar os tratamentos dos pacientes com dor crónica de forma rápida e eficaz, maximizando o aproveitamento dos recursos que existam, tanto nos hospitais como nos cuidados de saúde primários.

Como vê o futuro do diagnóstico e tratamento da dor nos próximos anos?

É difícil antever o futuro num entorno que muda a uma grande velocidade. Se olharmos para o trabalho que está a ser desenvolvido desde há uns anos a esta parte, penso que a medicina regenerativa terá um papel importante no tratamento dos pacientes com dor crónica, mediante a regeneração e/ou restauração dos tecidos danificados mediante a substituição de órgãos, células ou tecidos biológicos. Também acredito que a inteligência artificial terá o seu papel no futuro no diagnóstico e no tratamento da dor.

MJG

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Fonte: Saúde Online

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