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Salários 1.5 e mais tempo livre: trabalha-se cada vez menos na Europa

Nataliya Vaitkevich / Pexels

Cada vez mais europeus de países ricos renunciam a salários mais elevados para terem mais tempo livre. Alterar esta tendência não é uma tarefa fácil e coloca desafios aos governos e aos empregadores.

O que é necessário para que os europeus trabalhem mais? Esta é a questão que alguns dos países mais ricos do continente colocam ao confrontarem-se com a falta de mão de obra, apesar do nível recorde de emprego.

Governos e empresas da Alemanha, da Holanda e da Áustria procuram tornar as horas adicionais mais atrativas para os trabalhadores. As estratégias variam desde a oferta de mais creches até políticas fiscais mais favoráveis e horários de trabalho mais flexíveis.

E a competição é feroz: do outro lado, os trabalhadores preferem mais tempo livre. A média de horas de trabalho continua a diminuir à medida que as vagas a tempo parcial aumentam e os sindicatos pressionam por menos horas nos horários completos.

Recorde de emprego na UE

De certa forma, o trabalho nunca foi tão popular e acessível na Europa. A taxa de emprego geral em toda a UE mantém-se próxima dos 75% — Portugal situou-se nos 77,5%, de acordo com dados da Eurostat de 2022. A participação das mulheres também aumentou significativamente.

Um fator importante é o aumento do trabalho a tempo parcial, segundo os economistas.

Atualmente, mais de três em cada 10 empregados na Alemanha, Áustria e Suíça trabalham a tempo parcial. Na Holanda, cerca de metade da força de trabalho está em jornadas de 35 horas ou menos por semana. Nos EUA, em comparação, menos de um em cada cinco trabalha a tempo parcial (menos de 35 horas por semana).

As mulheres, em particular, têm impulsionado o crescimento do regime parcial na Europa, já que ainda são muito mais propensas do que os homens a conciliar o emprego com o cuidado dos filhos e da família.

No entanto, as maiores forças de trabalho não se traduziram num aumento significativo no total de horas de trabalho. Apesar de ter adicionado quase sete milhões de novos trabalhadores ao mercado entre 2005 e 2022, a Alemanha registou apenas um aumento modesto no total de horas de trabalho. O trabalhador médio alemão trabalhou menos de 1.350 horas por ano em 2022 — o número mais baixo entre os países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

“Esta é uma sociedade que está a ir muito bem”, afirmou Clemens Fuest, diretor do Instituto de Investigação Económica (Ifo) da Alemanha, numa apresentação no ano passado. “Menos pessoas precisam de trabalhar e o tempo livre é mais valorizado“.

Mas Fuest também alerta para um lado negativo: uma crescente escassez de trabalhadores nos próximos anos. “A grande contração ainda não chegou“, afirmou.

Salário do regime parcial é suficiente?

O trabalho a tempo parcial já é um problema em setores com escassez de funcionários, como enfermagem e educação, onde as vagas têm aumentado. Com mais funcionários em regime parcial, os gestores dizem que lutam para assegurar horas de atendimento suficientes.

Maartje Lak-Korsten, diretora da escola primária De Kleine Nicolaas, em Amsterdão, na Holanda, afirma que muitos candidatos querem trabalhar quatro dias por semana.

“Eu pergunto sempre: ‘Qual é a razão pela qual quer trabalhar quatro dias? O que precisa para trabalhar a tempo inteiro?’ Menciono as vantagens, como salariais, mas também a longo prazo, para que estejam conscientes das escolhas que fazem e das consequências”.

A escassez de pessoal provavelmente tornar-se-á mais comum nos próximos anos, quando a geração baby boomer se reformar, dizem os especialistas.

Um desafio para os empregadores e formuladores de políticas públicas é o facto de muitos trabalhadores dos países europeus mais ricos poderem dar-se ao luxo de trabalhar menos do que a tempo inteiro.

Na Holanda, o “salário 1,5”, em que um adulto da família trabalha a tempo inteiro e o outro a tempo parcial, tornou-se comum, explica Bastiaan Starink, economista da Universidade de Tilburg.

“Provavelmente é um luxo a que podemos dar-nos na Holanda, o de não trabalhar a tempo inteiro”, disse Starink.

Não são só as famílias. A arquiteta Thais Zuchetti, de Amsterdão, trabalhou 28 horas por semana no ano passado, enquanto terminava o seu mestrado. Em breve, voltará a trabalhar 32 horas por semana, a pedido do seu empregador. Mas, segundo ela, isso não seria necessário do ponto de vista financeiro.

“Sinto que com 28 horas ganho o suficiente para viver bem“, destaca Zuchetti. “A ideia é que, se eu continuasse a trabalhar 28 horas, poderia desenvolver o meu hobby como ilustradora, talvez num trabalho paralelo”.

Empresas e governos querem mais horas

O maior desafio de empregadores e governos é descobrir como fazer com que os trabalhadores atuais concordem em trabalhar mais horas.

O estado alemão de Baden-Württemberg começou a exigir que todos os educadores que procurem jornadas de menos 75% do tempo apresentem um motivo para tal “corte” – inclusive aqueles que já trabalham em horários reduzidos.

Um dos afetados pela medida é o professor Stolze, que ensina inglês no ensino secundário e tem uma jornada de meio expediente (50%). O regime parcial permite-lhe estar mais presente para ajudar os seus pais idosos e torna a semana escolar mais suportável.

“Reconheço que há muito potencial para se conseguir mais horas”, disse. “Mas, sinceramente, acredito que os meus colegas têm motivos muito, muito bons para não quererem encaixar-se nessa estrutura”.

Outros governos estão a adotar uma abordagem mais amigável, apesar do pouco retorno.

A Holanda concordou em expandir os subsídios para creches a partir de 2025 – data que o governo adiou para 2027 devido a cortes orçamentais.

A Alemanha adiou a reforma da regra tributária para casais, e agora considera a possibilidade de obrigar as empresas a permitir o trabalho remoto, entre outras medidas.

Fonte: ZAP

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