Morfina produzida sem papoila, um avanço para a medicina e para o tráfico de drogas

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Cientistas afirmam ter aberto um caminho para a produção de opiáceos de levedura geneticamente modificada – mas temem que a descoberta possa um dia ser a mina de ouro dos traficantes de drogas.

Outros especialistas concordaram, dizendo que qualquer pessoa com conhecimentos básicos pode usar tal levedura para produzir morfina, codeína e drogas usando um simples kit de cerveja caseira.

A descoberta, publicada na revista científica Nature Chemical Biology, vem na esteira de um estudo publicado no mês passado na revista PLOS ONE.

Juntos, os documentos descrevem os passos-chave para chegar à levedura feita por bio-engenharia, que se alimenta de açúcar e exala opiáceos e outras drogas terapêuticas.

O objectivo é fornecer analgésicos mais baratos e, possivelmente, menos viciantes a partir de uma fonte segura, em comparação com a papoila.

No estudo publicado, os biólogos da Universidade da Califórnia em Berkeley inseriram um gene da enzima a partir de beterraba para persuadir fermento em conversão de tirosina – um aminoácido facilmente derivado do açúcar – num composto chamado reticulina.

A reticulina é um "eixo" molecular, o que significa que é o trampolim para fazer morfina, codeína e oxicodona, bem como medicamentos anti-espasmódicos como papaverina.

A pesquisa não tinha a intenção de fazer essas drogas, mas o processo de passar da reticulina à codeína e morfina em levedura já é conhecido. O que estava a faltar na cadeia de conhecimentos era como partir da tirosina para a reticulina.

A descoberta pode ser de grande ajuda para a indústria farmacêutica, mas também «acelera dramaticamente o relógio para quando as drogas fabricadas em casa se tornarão uma realidade», alertaram os pesquisadores.

«Estamos propensos a olhar para uma linha do tempo de um par de anos, não mais do que uma década, quando a levedura alimentada por açúcar poderia fiavelmente produzir uma substância controlada», afirmou John Dueber, que co-liderou o estudo.

«A hora é agora para pensar em políticas para lidar com esta área de investigação. O campo está a mover-se surpreendentemente rápido, e precisamos de estar à frente para que possamos minimizar o potencial de abuso.»


Um grupo de importantes acadêmicos também insistiu numa mensagem semelhante. Num comentário formulado na revista Nature, o trio disse que o caminho estava agora aberto para engenharia de uma estirpe de levedura que daria conta de todo o processo de confecção da droga. Isso, por sua vez, ofereceria oportunidades de ouro para os criminosos, caso essa estirpe caia nas mãos erradas.

«Em princípio, qualquer pessoa com acesso à estirpe de levedura e habilidades básicas em fermentação seria capaz de crescer levedura produtora de morfina utilizando um kit de fermentação caseira para produção de cerveja», ressaltou o comentário, escrito por Kenneth Oye, cientista político do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

«Se a estirpe de levedura modificada produziu 10 gramas de morfina, os utilizadores teriam de beber apenas 1-2 mililitros de líquido para se obter uma dose prescrita padrão.»

As estirpes também podem ser projectadas para que a levedura requeira condições de alimentação ou de laboratório incomuns para prosperar, aumentando, assim, o nível tecnológico para os traficantes – tornando a operação mais complexa.

Fonte: Diário Digital

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