Enfermeiros recebem três euros/hora de empresas que ganham milhares

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco (3-D), acompanhada pelo presidente da Comissão de Saúde, José de Matos Rosa (2-D), presta declarações perante a Comissão de Saúde, requerida pelo Partido Socialista (PS), no sentido de prestar esclarecimentos sobre a afirmação de alegada prática de eutanásia no Serviço Nacional de Saúde (SNS), na Assembleia da República em Lisboa, 30 de março de 2016. TIAGO PETINGA/LUSA
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A bastonária dos Enfermeiros denunciou, esta quarta-feira, que existem empresas de contratação de enfermeiros que recebem milhares de euros do Estado e estão a pagar aos profissionais apenas três euros à hora

Durante a sua audição na Comissão Parlamentar de Saúde, a propósito de afirmações sobre a alegada prática de eutanásia no Serviço Nacional de Saúde (SNS), Ana Rita Cavaco afirmou que há hospitais que estão a contratar através dessas empresas, mas escusou-se a dizer que unidades de saúde são essas, afirmando que ultrapassa as suas competências.

A propósito considerou que o Estado, designadamente a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS), deve investigar essas empresas de contratação de enfermeiros, “a quem interessa ter essas empresas e a quem pertencem essas empresas que levam do Estado milhares de euros, a pagar ao enfermeiro três euros à hora”.

Para a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, situações destas é que “estão a pôr em risco a vida das pessoas, pois, tal como a OCDE veio dizer recentemente, os baixos salários dos enfermeiros estão a prejudicar a prestação de cuidados de saúde às pessoas”.

Ana Rita Cavaco questionou este tipo de opção de recorrer a empresas, que “sai muito mais cara” ao Estado, em vez de contratar enfermeiros, “que são necessários”.

A propósito, salientou que “faltam enfermeiros no país todo” e que a Ordem já está a fazer o levantamento das necessidades.

Ana Rita Cavaco relatou que há profissionais “a fugir dos hospitais por causa da falta de colegas para dar assistência aos doentes”, disse que anualmente o número de enfermeiros que emigram é superior aos que saem das universidades e que mais de metade estão em “burnout”.

A responsável garantiu que por todo o país as unidades de saúde têm falta de enfermeiros, e exemplificou com uma unidade de agudos que tem dois enfermeiros para 80 doentes e um serviço de pediatria que conta com dois profissionais para oito crianças.

Fonte: Jornal de Notícias

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