Sinalética como nova arma no combate a infecções hospitalares

0 68

Será usado um código de cores como alerta para infetados em ambiente hospitalar. Em Portugal, estima-se que morram 12 pessoas por dia por contágio de microrganismos no internamento

As mortes associadas às infecções hospitalares continuam a preocupar Portugal onde, em 2013, foram registados 4606 casos, ou seja, mais de 12 por dia. Um número que supera em sete vezes os óbitos em acidentes de viação no nosso país e que foi divulgado pela Direção Geral de Saúde (DGS), em março, pela primeira vez no relatório “Portugal- Prevenção e Controlo de Infeções e Resistência aos Antimicrobianos 2015”. Na altura, o Ministério da Saúde adiantou que, em 2017, dará incentivos financeiros aos hospitais que reduzam as infecções.

Numa ação concertada entre diferentes organismos que trabalham em prol da questão, novas ferramentas são postas à disposição do universo hospitalar. Na sequência do pedido enviado pela direção do “Programa de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA)”, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) emitiu um parecer favorável à necessidade de sinalética no quarto ou unidade de tratamento do doente com infeção adquirida em ambiente hospitalar, no sentido de alertar os profissionais de saúde que lhe prestam cuidados, mas também os familiares e os visitantes para as medidas de carácter preventivo recomendadas, com o objetivo de diminuir o risco de transmissibilidade intra-hospitalar das infeções.

Uma decisão que, segundo o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, “constitui uma mais-valia no combate às infecções hospitalares”, sendo que, “de resto, para além de reconhecer a importância da sinalética, o parecer salvaguarda a adopção de comportamentos, por parte dos profissionais de saúde, recomendados pela leges artis, e salvaguarda a obrigação de confidencialidade dos dados de saúde das pessoas internadas”. O médico acrescenta que “a sinalética poderá e deverá ser utilizada de acordo com o programa de prevenção e controlo de infecção e resistências aos antimicrobianos da DGS. E em todos os hospitais”: “As infecções hospitalares constituem uma causa importante de morbilidade e mortalidade e aumentam de forma significativa os custos em saúde(dados oficiais apontam para 300 milhões anuais). Por isso, todas as medidas que contribuam para combater este problema são fundamentais e devem ser aplicadas. A começar pelo tempo que os profissionais de saúde têm que ter para os seus doentes, para poderem exercer medicina com o máximo de qualidade. Para que possam actuar de acordo com as leges artis e adoptarem todos os comportamentos recomendados”.

A sinalética aprovada, quando usada, identificará vias de contágio, distinguindo-a por cores. O azul alerta para precauções de gotícula, o vermelho para as vias aéreas, enquanto o amarelo aconselha cuidados no contacto da pele e mucosas, mantendo a doença de que padece em segredo e reservada apenas aos profissionais de saúde.

Consciente de que não bastam os sinais e outras medidas já implementadas, o líder do CRN destaca “a importância da evolução da medicina que permite uma esperança de vida cada vez maior, mas que em Portugal continua a estar associada a uma baixa qualidade de vida (sobretudo a partir dos 65 anos), o que significa que temos cada vez doentes mais idosos internados, com várias doenças crónicas, polimedicados, e, como tal, mais frágeis e sensíveis a infecções. E por isso, um verdadeiro plano de combate às infecções passa também por apostar cada vez mais na promoção da saúde, prevenção da doença e promoção do envelhecimento activo”.

Fonte: DN

O melhor da PortalEnf no teu Email...

Assina aqui a nossa Newsletter e recebe todas as novidades da PortalEnf!

Obrigado por assinar. Vais receber um mail... verifica a caixa de Spam!

Something went wrong.

Loading...
Share This Article:

close

Partilha isto com um amigo