Tudo o que precisa saber sobre CHOQUE

0 2.079

Receba atualizações em tempo real diretamente no seu dispositivo, inscreva-se agora.

IDENTIFICAR, AGIR E AVALIAR

A sobrevida do paciente em Choque depende do elo entre esses três fatores: identificar, agir rapidamente e avaliar a resposta! E é o embasamento cientifico o responsável pela coesão, que neste ponto que estamos discutindo, o choque, representa a tênue linha entre a vida e a morte do paciente.

Por isso,vamos recordar com você os principais conceitos sobre o  CHOQUE. Aqui você vai ler sobre:

Definição e fisiopatologia: entendo o que acontece com o corpo
Como o Choque evolui
Tipos de Choque
Assistência de enfermagem
Fisiopatologia: entendendo melhor o que acontece com o corpo
Choque  pode ser definido como uma síndrome caracterizada pela redução da perfusão tecidual sistêmica, levando a disfunção orgânica.

Imagine todas as células do organismo sem receber nutrientes e oxigênio?! Uma cascata de disfunções irão acontecer não é? Pois é, exatamente isso que acontece no quadro clínico do choque! Todos os órgãos sofrem por não receberem o aporte de que necessitam.

No choque, as células carecem de suprimento sanguíneo adequado e são privadas de nutrientes e oxigênio. Em tais condições, produzem energia através do metabolismo anaeróbico, gerando acidose metabólica.

Na tentativa de aumentar o aporte de glicose para células produzirem energia ocorre a glicogenólise e a glicólise. São liberados mediadores inflamatórios, cortisol, catecolaminas, glucagon e citocinas, resultando em: HIPERGLICEMIA; RESISTÊNCIA INSULÍNICA; AUMENTO DA PERMEABILIDADE VASCULAR

O corpo produz mecanismo para tentar retomar a hemostasia, que no inicio geralmente conseguem manter a pressão arterial dentro dos limites de normalidade. Mas, se não for revertido, o choque evolui para as fases progressiva e irreversível.

Como o Choque evolui?
O choque tem três estágios:

Compensatório
Progressivo
Irreversível
ESTÁGIO COMPENSATÓRIO é caracterizado por manter a pressão arterial dentro dos limites devido aos mecanismos compensatórios.

A pressão arterial é regulada por barorreceptores localizados no seio carotídeo e no arco aórtico. Esses receptores são responsáveis por monitorar a volemia e regular as atividades neuronais e endócrinas.

Quando a pressão cai, a medula suprarrenal libera catecolaminas (adrenalina e noroadrenalina), que aumentam a frequência e a contratilidade cardíaca.

Os rins regulam a PA através do sistema renina angiotensina, liberando renina, que converte angiotensina 1 em angiotensina 2, um potente vasoconstritor. Ocorre redução do fluxo sanguíneo renal e consequente liberação de aldosterona, resultando em retenção de sódio. A elevada concentração de sódio estimula a liberação de hormônio anti diurético para reter água.

Também ocorre redução da perfusão periférica e aumento do aporte sanguíneo para os órgãos alvos: cérebro, coração e pulmões.

Sinais e Sintomas:

  • Oligúria ou anúria
  • Pele fria e pegajosa
  • Sons intestinais hipoativos
  • Taquicardia
  • Acidose metabólica + taquipneia (mecanismo compensatório)
  • Confusão mental

ESTÁGIO PROGRESSIVO inicia quando os mecanismos compensatórios não são mais suficientes para manter a pressão arterial normal. É caracterizado por hipotensão ( PA<90 mmHg ou 40 mmHg abaixo dos parâmetros basais).

A sobrecarga leva a falência da bomba cardíaca. Inúmeros mediadores químicos são liberados gerando aumento da permeabilidade capilar e edema. Os agentes pró-inflamatórios e anti-inflamatórios ativam o sistema de coagulação na tentativa de restabelecer a hemostasia.

As chances de sobrevida dependem da saúde geral antes do choque e do tempo que o organismo leva para restaurar a perfusão tecidual. A medida que o choque progride, os sistemas orgânicos descompensam.

Veja o que acontece em cada sistema nesse estágio:

No SISTEMA RESPIRATÓRIO o fluxo sanguíneo pulmonar diminuído e consequente hipoxia desencadeiam a liberação de mediadores inflamatórios. A resposta inflamatória leva a vasoconstrição pulmonar. Esse quadro é caracterizado porrespirações rápidas e superficiais, roncos e sibilos difusos
*Os alvéolos hipoperfundidos param de produzir surfactante e colabam (murmúrios vesiculares ausentes)

*Os capilares começam extravasar gerando edema pulmonar (estertores) e disfunção de perfusão (efeito shunt)

Essa condição é chamada de Lesão Pulmonar Aguda

No SISTEMA CARDIOVASCULAR a hipoxia e hipotensão resultam em taquicardia e arritmia. Pode ocorrer dor torácica ou até mesmo infarto agudo do miocárdio.
No SISTEMA NEUROLÓGICO a hipoxia cerebral pode resultar em confusão, agitação, sonolência, letargia e perda da consciência
No SISTEMA RENAL, a hipoperfusão pode levar a lesão renal aguda. Ocorre disfunção dos mecanismos renais relacionados à manutenção da PA e da manutenção do equilíbrio acido base
No FÍGADO, a hipoperfusão resulta em diminuição da capacidade de metabolizar fármacos e metabólitos (como amônia e acido lático). As enzimas hepáticas e a bilirrubina ficam elevadas podendo acarretar em icterícia
No SISTEMA GASTRO-INTESTINAL a isquemia pode provocar úlceras de estresse no estômago, aumentando o risco de sangramento. A mucosa do intestino delgado pode evoluir com necrose, desprendendo-se e causando diarreia sanguinolenta.
No SISTEMA HEMATOLÓGICO, as citocinas inflamatórias ativam a cascata de inflamação. Pode ocorrer coagulação disseminada com formação de múltiplos trombos e sangramento
No ESTÁGIO IRREVERSÍVEL, não há mais resposta ao tratamento. A insuficiência renal e hepática + metabolismo lático resulta em uma avassaladora acidose metabólica.  O sistema cardiovascular não é capaz de manter Pressão Arterial Média (PAM) adequada para a perfusão e mesmo com ventilação mecânica não há oxigenação adequada. Ocorre disfunção de multíplos órgãos e a morte é iminente.

REVEJA O ATENDIMENTO A PARAGEM CARDIO RESPIRATÓRIA CLICANDO AQUI

TIPOS DE CHOQUE
O que diferencia os tipos de choque é a fisiopatologia, a forma como inicia e evolui. São três os tipos:

  • Hipovolêmico
  • Cardiogênico
  • Circulatório ou distributivo ou vasogênico, sendo três subtipos:

Séptico

Neurogênico

Anafilático
choque hipovolêmico caracteriza-se por volume intravascular diminuído. A sequência de eventos inicia com diminuição da volemia, consequentemente chega menos sangue ao coração e diminui o débito cardíaco, comprometendo a perfusão tecidual. Pode ser ocasionado por exemplo por uma hemorragia.

Os principais sinais e sintomas são: pele fria, pegajosa, e taquicardia. A posição de tredelemburg é indicada.

choque cardiogênico ocorre quando a capacidade do coração de bombear o sangue é comprometida. As causas podem ser coronarianas, como por exemplo no IAM, ou não coronarianas, relacionadas as condições que estressam o miocárdio como: hipoxemia, acidose, hipoglicemia, tamponamento cardíaco, insuficiência cardíaca.

Os principais sinais e sintomas são: dor precordial, fadiga, sensação iminente de morte, instabilidade hemodinâmica.

choque distributivo ou circulatório ocorre quando o volume de sangue se represa nos vasos sanguíneos periféricos. Um evento precipitante leva à vasodilatação e ativação da resposta inflamatória, resultando em má distribuição do volume sanguíneo, retorno venoso diminuído, débito cardíaco diminuído e má perfusão tecidual.

De acordo com o evento precipitante pode ser subdivido em:

Choque Séptico: um ou mais focos infecciosos desencadeiam a resposta inflamatória sistêmica (SIRS).

REVEJA O ATENDIMENTO A PARAGEM SÉPSIS CLICANDO AQUI

Os principais sinais e sintomas são: febre, pele ruborizada, taquicardia, náusea, vômito e diarreia. Evolui com hipotermia e pele fria e cianótica.

Choque neurogênico: pode ser causado por lesão espinal, hipoglicemia, anestesia espinal ou outra lesão do sistema nervoso. Ocorre perda de equilíbrio entre o sistema nervoso parassimpático e simpático, com predomínio do sistema parassimpático, que leva a vasodilatação sistêmica.

Os principais sinais e sintomas são: pela seca e quente, hipotensão e bradicardia.

Choque anafilático: é causado por uma reação alérgica extrema á algo, como um medicamento, um alimento, ao latéx ou até mesmo à picada de insetos. Só ocorre se a pessoa já tiver tido contato prévio com o antígeno. Esse choque é desencadeado por uma reação antígeno- anticorpo sistêmica. Geralmente tratado com adrenalina.

Os principais sinais e sintomas são: evolução rápida, hipotensão e comprometimento respiratório.

Cuidados de Enfermagem
A assistência de enfermagem irá variar muito de acordo com o tipo e evolução do choque, por isso o plano de cuidados deverá ser revisado constantemente e a equipe de enfermagem precisa estar próxima ao doente. O paciente em estado de Choque exige cuidados intensivos diante do risco iminente de morte.

Os principais cuidados de enfermagem são:

  • Controle de glicemia capilar
  • Manter monitor multi-paramêtrico
  • Coletar exames laboratoriais na urgência
  • Manter oxigenoterapia
  • Controle da dor
  • Determinar melhor decúbito de acordo com o tipo de choque
  • Acesso venoso calibroso
  • Lembre-se: drogas vasoativas, devem ser administradas por cateter venoso central em bomba de infusão contínua!

Referência Bibliográfica:

Smeltzer SC, Bare BG, Hinkle JL, Cheever KH. Choque e Síndrome da Disfunção de Múltiplos orgãos . In: Smeltzer SC, Bare BG, Hinkle JL, Cheever KH, Brunner& Suddart: tratado de enfermagem médico-cirúrgica.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2011.p. 310-332.

Este post foi útil?

Clique numa estrela para o avaliar!!

Classificação média / 5. Contagem de votos:

Este post foi útil para ti...

Segue-nos nas redes sociais!

We are sorry that this post was not useful for you!

Let us improve this post!

Fonte Enfermeiro Aprendiz
Através de GABRIELA TEIXEIRA UGEDA
Loading...
Share This Article:

close

Partilha isto com um amigo