OCDE defende enfermeiros: “Escassez de profissionais persiste”

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“Número de diplomados em enfermagem nos últimos anos tem sido baixo” por causa das quotas das faculdades. É preciso acabar com isto, diz OCDE.

“Portugal não dispõe de uma estratégia abrangente para enfrentar os custos do envelhecimento relacionados com a saúde”, diz a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), juntando-se assim às críticas da Comissão Europeia. Um dos grandes problemas é mesmo a falta de enfermeiros.

A recomendação surge num momento muito delicado e agressivo na relação entre esta classe profissional e o governo, tendo o primeiro-ministro, António Costa, criticado as greves dos enfermeiros que apelidou de “selvagens” e “absolutamente ilegais”. A base desta paralisação cirúrgica é, contudo, a folha salarial, embora os enfermeiros se queixem também de exaustão e de serem muito poucos para a quantidade de serviços que têm de prestar.

No estudo económico bianual sobre Portugal (Economic Survey of Portugal 2019), apresentado esta segunda-feira pelo secretário-geral da organização, Angel Gurría, no Ministério da Economia, a OCDE defende que “parte da solução” para o problema da saúde no país “consistirá em encaminhar os tratamentos para os cuidados primários, como já foi feito em muitos outros países da OCDE”.

“No entanto, a disponibilidade de enfermeiros é fundamental para haver atendimento primário e domiciliário”. “Embora tenha havido um forte aumento no número de enfermeiros na última década, em Portugal, a escassez persiste. Além disso, o número de diplomados em enfermagem nos últimos anos tem sido baixo, refletindo em parte a redução no número de alunos aceites pelos programas de enfermagem durante a crise financeira”.

Assim, “no futuro, as autoridades devem assegurar que as restrições na inscrição em programas de enfermagem (ou seja, “numerus clausus”) têm em conta o rápido envelhecimento da população e a necessária reorientação dos tratamentos para os cuidados primários. Se isto não for feito, corre-se o risco de piorar a qualidade dos cuidados de saúde ou aumentar os custos com a saúde”, defende a organização.

No mesmo estudo, a OCDE relembra que “à medida que a população idosa aumenta, os gastos com saúde pública também sobem”.

Por isso, “prevê-se que os gastos públicos com a saúde aumentem muito rapidamente em comparação com outros países europeus, passando de 5,9% do PIB em 2016 para 8,3% em 2070”, diz a organização, citando previsões da Comissão Europeia.

Acresce que “a cobertura de cuidados de saúde privados é baixa e os preços em Portugal então entre os mais elevados da OCDE”. Esta organização reúne 36 países, atualmente.

“Como tal, há pouco potencial para aumentar as contribuições privadas para os custos de saúde futuros sem comprometer o acesso aos cuidados para as famílias de baixo rendimento”, avisa o chamado clube dos países mais desenvolvidos.

Fonte: https://www.dn.pt/

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