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Ana Maria Rodrigues: “Em Portugal a grande maioria da população tem défice de vitamina D”

Apesar de Portugal ser apontado como um país de sol, as evidências científicas revelam que os níveis de vitamina D na população são bastante reduzidos. De acordo com a Coordenadora de Reumatologia no Hospital Lusíadas, Ana Maria Rodrigues, a realidade nacional pode ser explicar o surgimento da osteoporose. No entanto alerta que “a suplementação da vitamina D na população saudável não reduz o risco de osteoporose”. Em contrapartida, garante que a suplementação na população osteoporótica apresenta ganhos “na prevenção de fraturas e no reforço da força muscular”. A também Professora auxiliar da NOVA Medical School destaca o papel dos bifosfonatos como linha de tratamento da osteoporose.

HealthNews (HN)- De acordo com um estudo recente, coordenado pelo Centro Cardiovascular da Universidade de Lisboa, a genética da população portuguesa pode explicar a deficiência de vitamina D. Qual o seu impacto no desencadeamento de osteoporose?

Ana Maria Rodrigues (AMR)- O que os estudos demonstram nos últimos anos é que a vitamina D é muito importante para a saúde do osso. Para termos ossos fortes e saudáveis necessitamos de níveis de cálcio e vitamina D adequados, sendo que a forma mais importante para termos os ossos saudáveis será sempre a através de um estilo de vida que inclua exercício físico adequado, alimentação equilibrada e vida ao ar livre. 

Por outro lado, sabemos que em situação de doença (quando o indivíduo já tem fragilidade óssea com baixa quantidade e qualidade do osso) é importante assegurarmos níveis adequados de vitamina D. Em alguns casos, por impossibilidade de exposição solar ou falha da função do rim, fígado ou intestinos, poderá ser necessário a suplementação da vitamina D. Portanto, nos indivíduos com osteoporose e com indicação para tratamento devemos suplementar com vitamina D para assegurar níveis adequados da mesma. 

HN- O mesmo estudo sugere que “temos uma população que cada vez foge mais da gordura” e a vitamina D encontra-se nos alimentos “na fase lipídica”. Tendo em conta que a vitamina D é responsável pela manutenção dos níveis de cálcio sérico, através da promoção da absorção de cálcio e fósforo, que alterações devem ser feitas na rotina das pessoas de forma a garantir os níveis adequados de vitamina D no organismo? 

AMR- Há uma parte mínima e em menor quantidade em que a vitamina D é absorvida através dos alimentos ricos em gordura por via gastrointestinal. Esta não é a maior fonte de vitamina D no nosso organismo, mas sim é uma outra fronte alternativa. É importante ficar claro que a maior fonte de produção de vitamina D é a exposição solar. Esta é sintetizada a partir da pele, sendo mais tarde metabolizada no fígado e ativada no rim. 

Na minha opinião, a restrição de alimentos ricos em gordura não é condicionante de não termos níveis adequados de vitamina D. 

HN- Investigadores defendem que não é correto supor que os países com mais exposição solar, como Portugal, conseguem garantir níveis adequados de vitamina D dentro das populações…

AMR- Isso é verdade. Sabemos que infelizmente em Portugal a grande maioria da população tem défice de vitamina D.

Na minha opinião, e enquanto investigadora nesta área, parece que os motivos principais são as modificações de estilo de vida que ocorreram na última década em que passamos a ter uma vida mais sedentária e dentro de edifícios.

HN- A capacidade de síntese cutânea de vitamina D reduz com a idade?

AMR- Reduz ligeiramente com a idade, mas o maior problema com a idade é a capacidade de ativação da vitamina D através do fígado ou do rim. Doenças renais e doenças hepáticas podem impossibilitar o nosso organismo de tornar este metabolito ativo e, portanto, útil para o osso. 

HN- Quais os benefícios da toma isolada de suplementos de vitamina D?

AMR- É muito importante ficar bem esclarecido que a suplementação da vitamina D na população saudável não reduz o risco de osteoporose. Perante a evidência que existe atualmente não há qualquer benefício em suplementar com vitamina D a população saudável. Pelo contrário, a suplementação dos indivíduos com fragilidade óssea e com osteoporose com vitamina D é muito importante na prevenção de fraturas e no reforço da força muscular.

HN- Os bifosfonatos (BF) são um importante grupo de fármacos usados para tratamento de patologias metabólicas e oncológicas. No que toca à osteoporose, qual o papel dos bifosfonatos como linha de tratamento da osteoporose?

AMR- Todas as pessoas com elevado risco de fratura (presença de fraturas de fragilidade prévias ou elevado risco de fratura calculado pelo FRAX), tenham ou não osteoporose, devem fazer terapêutica dirigida para aumentar a quantidade e qualidade do osso. 

Os fármacos que demonstraram, em Portugal, ser mais custo-efetivo e de primeira linha para o tratamento destas pessoas são os bifosfonatos de toma oral. 

HN- Qual o maior problema desta forma de administração?

AMR- A toma de bifosfonatos orais tem um problema importante de compliance à terapêutica, sobretudo, a longo prazo. Sabemos que apenas 30% das pessoas que fazem bifosfonatos orais mantêm-se a fazer esta medicação nos dois anos subsequentes. Este problema traduz um desconhecimento importante da população em geral sobre a importância do tratamento na osteoporose e sobre a importância do medicamento para a prevenção de novas fraturas. Portanto, é importante educar a população para estas questões e relembrar que este medicamento não tira dores, mas ajuda a prevenir fraturas.

Os doentes devem conhecer o objetivo deste fármaco de modo a que se assegure a manutenção do plano de tratamento. 

HN- Sabe-se que a taxa de adesão ao tratamento para a osteoporose é ainda muito reduzida. O que é necessário para contrariar esta tendência?

AMR- Do meu ponto de vista seria necessário educar a população sobre o quê é a osteoporose, qual é o principal risco da doença e os ganhos da terapêutica. Devemos, também, identificar algumas barreiras que o doente sinta, nomeadamente económicas e de posologia antes do início do plano terapêutico. Por fim, a decisão do tratamento deve ser partilhada entre o médico e o doente.

Entrevista por Vaishaly Camões

 

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