Saúde e bem-estar

Por que razão compramos mais papel higiénico do que precisamos? A psicologia explica

A pandemia recordou um dos instintos mais primitivos do ser humano: perante a possibilidade de escassez de bens essenciais, a tendência é acumular. Aconteceu com o papel higiénico – que desapareceu das prateleiras dos supermercados no primeiro confinamento – e está a acontecer agora com o combustível no Reino Unido.

Segundo a Fortune, a explicação para este comportamento reside na psicologia. Ao longo dos últimos 18 meses, investigadores nesta área têm vindo a estudar as escolhas e as reações de pessoas que acumulam diferentes artigos, incluindo também massa ou enlatados. A principal conclusão? Embora se fale em compra motivada por pânico, parece que existe uma motivação racional.

Quanto à descrição-tipo destes compradores, a literatura divide-se: há estudos que apontam para pessoas com dinheiro disponível na carteira (até porque comprar muito requer verba para tal), outros que indicam que se trata de cidadãos com filhos e outros ainda que sugerem que a motivação tanto pode ser medo como pressão social.

Segundo a Fortune, existem também investigadores que mencionam as circunstâncias como catalisador, seja porque o cenário é de ameaça iminente ou porque a desconfiança paira no ar. Um estudo australiano publicado este ano no Journal of Experimental Psychology revela que a compra motivada por pânico é uma reação a incerteza extrema, ou seja, oferece às pessoas uma ilusão de controlo.

Estamos, portanto, perante o conceito de pânico racional. À partida, pode parecer contraditório, mas é disto que se fala quando as pessoas esvaziam prateleiras ou ficam horas na fila para encher jerricãs. Não é uma questão de egoísmo ou pânico real, garante Clifford Stott, professor de psicologia social na Universidade Keele.

De acordo com o especialista, as pessoas na fila das gasolineiras não estão frustradas e a gritar que precisam de gasóleo. Dizem, sim, que têm de abastecer agora antes de irem ao trabalho, para garantirem que conseguem lá chegar, por exemplo. «Isso não é pânico, isso é consideração. Por isso, é racional.»

Clifford Stott aplica o mesmo princípio à corrida ao papel higiénico no ano passado: confrontadas com a possibilidade de ficar em casa durante várias semanas, ou mesmo meses, as pessoas perceberam que precisariam de mais papel higiénico. Até porque aquilo que gastavam no trabalho ou na escola passariam a gastar também em casa.

Fonte: Multinews

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