Curvas de percentis: como interpretar

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Em que consistem e como possibilitam avaliar o desenvolvimento do bebé/criança

Consideradas pela Direção-Geral da Saúde instrumentos fundamentais para monitorizar o estado de nutrição e o crescimento de crianças e adolescentes, as curvas de crescimento ou de percentis constam do Boletim de Saúde Infantil e Juvenil, onde são registados os dados mais importantes da saúde da criança e jovem.

Permitir aos pediatras comparar os parâmetros de avaliação do crescimento da criança com os respetivos valores de referência é a função das curvas de crescimento ou de percentis. Mas, enquanto primeiros responsáveis pela saúde dos filhos, é igualmente importante que os pais saibam interpretá-las, de forma a evitarem expectativas desadequadas e ansiedades injustificadas. Explicamos-lhe o essencial.

Como são feitas

Sugerimos-lhe que abra o Boletim de Saúde Infantil e Juvenil do seu filho e que procure as páginas referentes às curvas de crescimento. São quatro as curvas de percentis que vai encontrar: uma para o peso, outra para a estatura, uma para o perímetro cefálico e outra para o Índice de Massa Corporal (que relaciona a altura com o peso). Cada uma resulta da união de pontos que correspondem aos valores médios de medições rigorosas de milhares de crianças, em várias idades, no âmbito de estudos científicos.

Curvas de crescimento adotadas em Portugal

Em Portugal, seguindo o exemplo de cerca de 150 países, foram adotadas, em 2013, as curvas de crescimento publicadas pela Organização Mundial de Saúde em 2006. Na sua base esteve um estudo em que foram acompanhados grupos de crianças de cinco localizações mundiais diferentes.

Por estas crianças serem fruto de gravidezes sem problemas, não terem doenças de base, terem sido amamentadas o máximo de tempo e terem tido uma diversificação alimentar de acordo com as melhores práticas, considera-se que refletem o crescimento ideal com o qual cada criança deve ser comparada ao longo do seu crescimento.

Como devem ser “lidas”

Um percentil é cada uma das 100 partes iguais de um conjunto estatístico ordenado, esclarece o dicionário. Ter esta noção em mente ajuda a perceber a forma correta de ler uma curva de crescimento.

Assim, se o pediatra indicar que o seu filho está na curva 25 da altura, por exemplo, tal significa que, em 100 crianças saudáveis com a idade e sexo do seu filho, 75 serão mais altas e 24 serão mais baixas do que ele.

No entanto, mais importante do que a comparação de uma criança com a média estabelecida pela curva, é a proporção entre os valores e a sua evolução, pelo que o pediatra irá verificar se os vários percentis do bebé, sobretudo o peso e a altura, estão adequados entre si e se são equilibrados ao longo do tempo, embora sejam normais acelerações e desacelerações.

Erros a evitar

O erro mais comum entre os pais é preocuparem-se por o filho estar num percentil baixo, como se tal fosse sinal de risco para a saúde. Na verdade, apenas para percentis acima do 97 ou abaixo do 3 há maior probabilidade (e não certeza) de doença.

Desta forma, qualquer tipo de ansiedade motivada pela convicção de que «é bom» a criança estar num percentil elevado é infundada. Da mesma forma, comparações com outras crianças, mesmo que sejam os irmãos, são inúteis, já que o importante é que a curva da própria criança seja mais ou menos paralela à média, seja acima ou abaixo dela.

No entanto, o próprio percentil da criança pode variar ao longo do tempo, seja para cima ou para baixo. Por exemplo, uma criança que tenha uma puberdade mais precoce que o habitual pode começar por se situar no percentil 90 da curva de estatura e, depois, estabilizar, passando para um percentil médio.

Em suma[pro_ad_display_adzone id=”11213″ popup=”1″]

As curvas de percentis são instrumentos fundamentais para avaliar o crescimento das crianças e jovens, mas há que saber interpretá-las. Acreditar que um percentil elevado é melhor que um baixo corresponde a pensar que uma criança pequena é pouco saudável e uma grande muito saudável, o que não está correto.

Sabia que…

Sobretudo no primeiro ano de vida, as acelerações e desacelerações do crescimento podem traduzir um ajustamento da criança ao “verdadeiro tamanho” determinado pela sua carga genética.

Fonte: Banco da Saúde

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