Ministro quer nutricionistas e psicólogos nos centros de saúde

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Falta de profissionais no Serviço Nacional de Saúde atinge todas as regiões do país, e consultas pedidas pelos utentes ficam sem resposta. Apostar na prevenção da saúde é a política

Nutrição, psicologia clínica, oftalmologia e fisioterapia. O Ministério da Saúde quer apostar nestas quatro especialidades nos centros de saúde, por isso assumiu que tem de aumentar o número de profissionais nos cuidados de saúde primários. Um reforço urgente, pois, se em alguns locais já existem, a verdade é que o número é residual.

Segundo os dados da Administração Central do Sistema de Saúde, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem 133 nutricionistas, 576 oftalmologistas, 598 psicólogos clínicos e 943 fisioterapeutas – para os dez milhões de utentes inscritos nos centros de saúde.

As primeiras experiências-piloto com reforços de especialistas serão nas áreas de saúde oral e oftalmologia. Mas há outras que o ministério quer reforçar. “Nutrição, psicologia, fisioterapia, assistentes sociais são fundamentais. Em algumas até temos profissionais, só que o número é tão residual que é quase um abuso dizer que temos estas valências nos cuidados de saúde primários”, disse ao DN Henrique Botelho, coordenador da reforma dos cuidados de saúde primários.

O responsável recordou um estudo que realizou em 2013, em que analisou os número destes especialistas em quatro agrupamentos de centros de saúde com pouco mais de 846 mil utentes inscritos: 11 psicólogos clínicos, sete nutricionistas, dois fisioterapeutas e 20 assistentes sociais. O resultado foi um psicólogo clínico por 77 mil utentes, um nutricionista por 120 mil, um fisioterapeuta por 423 mil e um assistente social por 42 mil utentes.

“É importantíssimo termos fisioterapia nos cuidados de saúde de proximidade. Existem, mas com uma expressão tão pequena que acaba por não ter impacto. Fui diretor de um agrupamento de centro de saúde onde havia uma nutricionista. O que pode uma nutricionista fazer com uma área de 300 mil habitantes? Nada, a não ser construir e acompanhar alguns programas genéricos de prevenção, como a intervenção ao nível das escolas com prevenção ou dar apoio técnico a cantinas”, afirmou.

Segundo os dados do Inventário do Pessoal do Setor da Saúde de 2014, há, por exemplo, 133 nutricionistas, ou seja, o serviço público oferece um por 78 mil pessoas. Apesar de existirem três mil profissionais registados na Ordem. “É um número preocupante, se pensarmos nos fatores de risco (como obesidade ou diabetes) que podem ser prevenidos com a alimentação. Quando se criou a comissão para os cuidados de saúde primários apresentamos uma proposta de rácio que era de um nutricionista por cada 20 mil habitantes”, sublinhou Alexandra Bento, bastonária dos nutricionistas, referindo que “há centros de saúde sem nutricionistas”.

Em 2015 a profissão passou a englobar os dietistas. Com esta mudança, o número de nutricionistas no SNS passou a ser, segundo Alexandra Bento, de 400. Mas nos centros de saúde estão apenas cem. Para a responsável é urgente que o Ministério da Saúde olhe para o problema. “Têm de fazer tudo – desde consultas, saúde pública, educação da saúde nas escolas – e não conseguem estar em lado nenhum. Portugal tem das melhores formações, mas não coloca os profissionais nos sítios devidos”, frisa.

No caso dos fisioterapeutas o número pode ser um pouco maior, mas continua a ser insuficiente. “O Interior é muito deficitário e o Norte. De uma maneira geral, todo o país. Existem muitos centros de saúde sem fisioterapeutas”, afirmou Isabel de Souza Guerra, presidente da Associação Portuguesa de Fisioterapeutas, salientando que o país tem oito mil profissionais e que o problema é a “má distribuição no país e dentro do SNS”. A maioria está nos hospitais: mais de 600.

Porque é importante ter fisioterapeutas nos centros de saúde? “Tem um papel de prevenção e promoção da saúde, com uma atuação desde que se nasce até que se morre. Participa nos programas de preparação para o nascimento, na educação postural na escola e no trabalho, na prevenção de dores e melhoria da mobilidade. Também participam nos cuidados domiciliários, que liga com os cuidados continuados. O custo-eficácia com mais contratação é grande porque diminui doenças e internamentos com a prevenção”, salientou a responsável.

Para esta aposta nos centros de saúde, admitiu Henrique Botelho, “serão precisos muitos profissionais”. “O levantamento tem de ser feito. A incorporação destas novas áreas está no programa do governo e é uma prioridade para esta coordenação. Não é possível fazer tudo para todos ao mesmo tempo. É preciso testar as experiências, avaliá-las e que existam condições económicas para as desenvolver o mais possível.”

Fonte: Diário de Noticias

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