Fungo que mata até 72% dos doentes pode estar a chegar a Portugal

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Fungo está, para já, confinado aos meios hospitalares mas já provocou 35 mortes em Espanha. A infeção resiste à grande maioria das armas terapêuticas.

A sua origem é ainda um mistério mas um poderoso fungo, que atinge a corrente sanguínea, está a colocar as autoridades de saúde em alerta à espera que a infeção atinja o território português. Segundo avança o jornal Expresso, vários casos suspeitos já foram analisados, sendo que, até agora, todos os resultados foram negativos.

O fungo, chamado Candida Auris, têm-se mostrado resistente a uma grande parte das armas terapêuticas utilizadas e, tornou-se assim, extremamente mortal. Segundo os últimos dados conhecidos, mata entre 33 e 72% dos doentes em 30 dias. Até agora a infeção, que já se espalhou um pouco por todo o mundo, está confinada aos hospitais – o que está a impedir que o problema se torne num problema de saúde a nível global.

Os idosos, mais propensos a infeções, são o grupo mais vulnerável. O diagnóstico tardio é uma limitação ao combate atempado do fungo. Para ser infetado, é preciso que o doente tenha sido sujeito a uma cirurgia recente ou tenha o sistema imunitário comprometido. “Não se sabe de onde vem, sabe-se pouco sobre o nicho ecológico. É um fungo que persiste muito tempo no ambiente e tem vários fatores de patogenicidade que lhe conferem uma letalidade muito elevada”, explica a investigadora Cristina Veríssimo, responsável pelos laboratórios de Micologia e de Referência para Infeções Parasitárias e Fúngicas do Instituto Ricardo Jorge (INSA), em declarações ao Expresso.

O surto está espalhado já por uma grande parte da Europa. Em Portugal, as autoridades de saúde já estão em alerta. “Efetuámos um inquérito e mais de metade dos hospitais na rede afirmaram ter capacidade de resposta”, avança Maria do Rosário Rodrigues, diretora nacional do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistências aos Antimicrobianos da Direção-Geral da Saúde. Contudo, o fungo não é de notificação obrigatória.

“O facto de estarmos na ponta da Europa tende a retardar a progressão epidemiológica e nem sempre se trata de uma questão de proximidade, nomeadamente em relação a Espanha onde já ocorreram surtos”, diz. O fungo Candida Auris foi identificado, pela primeira vez, há 10 anos, quando foi encontrado no canal auditivo de um doente na Coreia do Sul. Alguns anos mais tarde, apareceu no Japão e começaram a surgir surtos na Índia, na África do Sul, na Venezuela, na Colômbia, Estados Unidos e Reino Unido. Neste momento, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças, há registo de surtos em 23 países, incluindo em Espanha, onde já morreram 35 pessoas infetados num hospital de Valência.

O uso de antibióticos e antifúngicos, especialmente em Unidades de Cuidados Intensivos, pode potenciar a infeção. O fármaco mais usado para combater o fungo, o fluconazol, tem-se mostrado ineficaz e muitas das estirpes do Candida Auris são resistentes a dois ou mais antifúngicos

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