Antidepressivo associado a vários casos de morte súbita é seguro, diz o Infarmed

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Uma paragem cardíaca vitimou dois jovens que estavam a tomar o antidepressivo Sertralina no Reino Unido. Comunidade médica está dividida no que diz respeito à relação entre o medicamento e a morte súbita.

Os casos reportados no Reino Unido estão a causar preocupação entre as autoridades britânicas. O antidepressivo Sertralina, um dos fármacos mais usados no tratamento de ansiedades, stress e depressão está a ser associada a várias situações de morte súbita.

Um dos casos, relatado pelo jornal inglês Daily Mail, é o de um jovem de 24 anos, que morreu em julho de 2018. Liam Batten apresentava um quadro de ansiedade e agarofobia (medo de estar em espaços públicos) desde 2012. Começou então a tomar setralina. No entanto, em julho, nove dias antes de morrer, o médico de Liam decidiu aumentar a dose diária.

Apesar do aumento, a dose tomada ainda estava dentro dos limites estabelecidos para o medicamento. Acontece que o jovem inglês sofreu uma paragem cardíaco durante o sono. O jovem não tinha problemas cardíacos diagnosticados. Apesar dos altos níveis de sertralina no organismo de Liam, um inquérito concluiu que a sua morte poderia ser atribuída à súbita síndrome de morte arrítmica, ou SADS – uma condição na qual o coração simplesmente pára de bater, sem causa específica.

Caso idêntico é o da jovem inglesa Sadie Stock, de 28 anos, que morreu em novembro de 2017, seis semanas depois de ter sido mãe. Sadie desmaiou na rua e, quando foi assistida, tinha 150 pulsações por minuto. A mulher estava a tomar sertralina para enfrentar a depressão pós-parto.

No relatório do óbito, o médico do hospital de Hertfordshire escreveu que a morte se deveu a uma paragem cardíaca provocada pela sertralina. Foi encontrado um elevado nível deste antidepressivo no sangue de Sadie Stock. No entanto, tal como no caso de Liam, o relatório do médico legista fala numa morte resultante de causas naturais.

Tanto as famílias dos dois jovens como alguns médicos contestam esta tese, embora o assunto desperte opiniões diferentes entre a comunidade médica. Mary Sheppard, professora de Patologia Cardiovascular no Imperial College de Londres, que analisou o coração de Liam disse ao Daily Mail que a morte terá tido origem natural mas que a sertralina aumentou o risco.

“Há uma associação entre os inibidores seletivos de recaptação de serotonina [como a sertralina] e a morte súbita, mas a evidência não é perfeita”, refere um patologista. O problema, segundo essa mesma fonte ouvida pelo jornal inglês, poderá estar numa condição genética, que torna determinada pessoas mais sensíveis ao medicamento.

“Não se pode fazer uma associação entre a morte súbita e uso de sertralina”, diz Adelaide Costa, psiquiatra no Serviços de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital de São João, em declarações ao Observador.

A sertralina está disponível no mercado há quase 30 anos e serve para elevar os níveis de serotonina no cérebro, o que ajuda a melhorar o humor. A bula do medicamento informa que uma em cada dez pessoas pode sentir um aumento dos batimentos cardíacos enquanto estiver a tomar o fármaco. Uma em cada mil pode experienciar batimentos cardíacos lentos, problemas cardíacos, má circulação ou mesmo um ataque cardíaco. Segundo a Agência Reguladora dos Medicamentos britânica, 164 pessoas morreram desde 1990 depois de tomarem o medicamento.

Sertralina é um fármaco seguro, garante Infarmed

Apesar disto, o medicamento é, geralmente, bem tolerado e pode ser tomado durante vários anos sem complicações adicionais. O Infarmed esclarece que não foram identificados dados novos que questionem a segurança do medicamento. A Autoridade do Medicamento sublinha que “não existem em Portugal notificações de casos de morte súbita” causados pela utilização da Sertralina.

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